A cada rebelião de presos a "chaga" do sistema carcerário é exposta. Depois dos horrores ocorridos no presídio de Pedrinhas (Maranhão), o domingo começou igualmente violento no Paraná. Desta vez, presos se rebelaram na Penitenciária Estadual de Cascavel (região Oeste) deixando grande saldo de mortos (o número oficial ainda não foi divulgado, mas no início da noite de ontem estimava-se que seriam entre 10 e 20) e violência contra agentes que trabalhavam no local. Pelo menos dois detentos foram decapitados, enquanto outros dois foram arremessados do telhado da unidade.
A situação precária dos presídios não é exclusiva do Paraná. O problema se repete Brasil afora e é reflexo direto da falta de investimentos dos governos no sistema carcerário. Nos últimos anos, o aumento da população carcerária ocorreu de forma exponencial, enquanto o orçamento não cresceu na mesma proporção. Atualmente, o Brasil detém o terceiro maior número de presos do mundo, atrás apenas dos Estados Unidos e da China. Segundo levantamento do Conselho Nacional de Justiça, são 711.463 pessoas considerando as que cumprem pena domiciliar.
Além da falta de planejamento dos governos, que preferem não fazer grandes investimentos no sistema, a responsabilidade também é da própria sociedade. A opinião pública não exerce qualquer tipo de pressão para que o sistema seja melhorado e que passe efetivamente a atuar na ressocialização dos presos. Perdura no inconsciente coletivo a máxima de que "presos devem sofrer". É óbvio que penitenciárias não são hotéis, mas há que se garantir o mínimo de dignidade aos que estão cumprindo sua pena. Além disso, a superlotação é problema crônico e, por isso, é urgente a implementação de penas alternativas à privação de liberdade.
Enquanto não forem feitas ações com objetivo de melhorar o sistema, rebeliões continuarão a ocorrer, presos e funcionários serão mortos, presídios serão destruídos e as cenas de violência continuarão a chocar a população.

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