Não deve surpreender ninguém a rebelião de menores delinquentes ocorrida no Centro de Socioeducação de Londrina e que resultou em feridos e destruição no interior do estabelecimento, mais conhecido como Educandário. Por que isto é uma repetição de fatos idênticos que já se incorporaram à história sinistra das casas de detenção deste país. Existem ali 55 menores detidos, alguns de alta periculosidade, e o que acontece são consequências previsíveis. O episódio é apenas mais um, qual alarma acionado quando uma situação chega ao ponto de efervescência, e num universo destes a explosão ocorre ao menor atrito. É ingenuidade esperar-se que esses menores infratores, assim como a maioria dos detentos de qualquer idade, não venham a rebelar-se e a matar e destruir.
O episódio não deve remeter para iras populares, para o clamor por diminuição da maioridade penal, por medidas extremas como a pena de morte, desejada por muitos, mas para a continuidade de buscas visando atenuar o problema da delinqüência e dos males sociais que as geram. A inteligência externa não pode igualar-se à mentalidade dos que estão reclusos e em condições tão deploráveis, porque isto seria a decretação falimentar da sabedoria humana. Existe uma sociedade marginal, formada por esses delinquentes de baixa expressão no conceito social e também por ''gente ilustre'' como políticos e governantes e também destacadas figuras do Poder Judiciário, como se tem visto nos últimos tempos e mais recentemente. E existe a sociedade que se proclama sã, e a esta incumbe a difícil missão de encontrar fórmulas sábias para tamanho drama social.
A não ser casos específicos e raros, nenhuma criança nasce delinquente, mas pode chegar a esse ponto de degradação em função do meio. Onde não existe emprego e moradia decente, onde grassa a fome e o desconforto e onde os valores humanos foram ignorados, não pode haver garantia de paz social e nem se pode esperar conformismo por parte desses contingentes marginalizados. Porque se os que derivam para a violência tornam-se perigosos e capazes de qualquer ato - por isso os sistemas de segurança precisam emergencialmente isolá-los do meio - eles também são vítimas. Dali para o delito, a prisão e a rebelião com brutalidade é um passo.
Se o mal está instalado e é preciso contorná-lo imediatamente - com inteligência e não com ímpetos de vingança social - o caminho de solução a médio e longo prazos é fortalecer a família, por via de ganhos oriundos de empregos, e isto aponta para políticas públicas e também da sociedade civil, de modo a eliminar o problema pela raiz. Se o Governo arrocha o empresário com impostos assassinos e encargos sociais pesados, se as leis do trabalho são perversas para quem emprega, se o empregador demite aleatoriamente e não atenta, também, para a sua responsabilidade social, então esses segmentos estão fomentando a produção de marginais. E marginais porque estão à margem dos bens, que são direitos de todos, e marginais no sentido pejorativo de caírem na delinquência.

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