O governo anunciou ontem que aumentará os preços dos combustíveis no mercado interno. Embora o índice ainda não tenha sido anunciado, a especulação é que o reajuste fique entre 10% e 15%. No entanto, cálculos do Centro Brasileiro de Infraestrutura indicam que a defasagem entre os preços da Petrobras e os praticados no exterior está em 24,5% para o diesel e 23,1% para a gasolina. A justificativa é que a companhia supre a demanda crescente com importação de combustíveis no exterior a preços mais altos do que os internos, o que tem gerado um custo extra de cerca de US$ 3 bilhões por trimestre.
Esse será o segundo aumento somente neste ano. Em junho, a Petrobras anunciou reajuste de 7,83% no preço da gasolina e de 3,94% no do diesel. No mesmo dia, o governo zerou tributos sobre os combustíveis para evitar que o reajuste chegasse às distribuidoras e aos consumidores. Esse não será o caso nesse momento. O impacto será sentido por todos e não apenas no momento de abastecer o veículo. Combustível mais caro provoca efeito cascata sobre o custo de vários outros produtos porque encarece o frete. Há risco real de pressão inflacionária, o que pode ser um cenário perigoso.
Inflação alta provoca incerteza e aumenta os riscos, o que impede o crescimento econômico. Panorama nada favorável em período de crise econômica internacional. As empresas ficam menos propensas a realizar investimentos de longo prazo, enquanto as pessoas têm o seu poder de compra reduzido. Além disso, índices que medem o aumento de preços - como IPCA, do IBGE; e IPC-S, da FGV - registraram aceleração em julho. O IGP-M também registra alta neste início de agosto. Portanto, é um risco que o governo terá que arcar.
Agora, a pergunta que fica é sobre a autossuficiência brasileira em petróleo. Anunciado há seis anos pelo então presidente Lula (PT), com toda a pompa e com direito a foto replicada em praticamente toda a imprensa nacional do presidente com as mãos sujas de óleo, então, é possível concluir neste momento que o ato não passou de mera propaganda.

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