Reajuste do aposentado X gastança oficial
As famílias dos aposentados do Paraná, como as do Brasil, acompanham o impasse do reajuste da categoria: os 7,71% já acordados entre Câmara e Senado, e a proposta do governo de 6,14%. A decisão deve ocorrer esta semana. No País da gastança sem limites, dos salários altíssimos do Executivo, Legislativo e Judiciário, parece ridículo insistir em diferença percentualmente tão pequena.
Percentualmente, por quê? Em número absoluto, o montante que transparece no orçamento da Previdência não é nada desprezível (algo em torno de R$ 3 bilhões). Embora paradoxal, quando qualquer um dos percentuais em discussão, traduzidos em valor nominal, aparecer no contracheque do aposentado que ganha um salário mínimo, a sensação será de revolta.
Basta calcular pela velha regrinha de 3 simples e concluir que 6,14% sobre míseros R$ 510,00, são nada! Não dá para comprar o remédio (genérico) que controla hipertensão. Problema é que são 19 milhões de aposentados recebendo esse valor. O governo apresenta números sobre o impacto, dificulta, mas depois transige, para dizer que é compreensível.
Mas, se quiser ser sincero, poderá usar um argumento técnico e aplicar o percentual maior, 7,71. Acontece que o parâmetro aferidor dos gastos de um aposentado tem que ser diferente do índice convencional, vigente, aplicável para reajuste de outras categorias ou de uma tarifa pública. É que a vida do aposentado é mais cara. Dias atrás, a Agência Estado divulgou o seguinte: o INPC usado para corrigir as aposentadorias com valor acima de um salário mínimo não reflete o custo de vida desses aposentados. Os gastos com remédios e mesmo a alimentação têm peso maior para o idoso desde 1995. Há outros números que incluem até a energia elétrica: o aposentado passa maior parte do tempo em casa e, portanto, gasta mais.
Bom, por tudo isso, e considerando a farra dos salários e das aposentadorias da elite que governa este País, o Presidente Lula pode sim optar pelo percentual maior. Com certeza não vai desmazelar-se por isso. E, depois, é ano eleitoral.





