Reagir sempre e recorrer aos direitos
O Código de Defesa do Consumidor oferece amplas possibilidades de recorrência aos que são lesados, e o que precisa é os cidadãos prejudicados ficarem alertas, sem tolerância aos abusos. Cumpridas as obrigações, será necessário sempre reagir e recorrer aos direitos, como forma de refrear a investida dos exploradores, que estão presentes em muitas atividades. No sistema financeiro é onde eles mais pontificam. Mas já existem muitas ações coletivas contra as arbitrariedades, e isto demonstra que os cidadãos estão reagindo e abandonando a idéia derrotista de que ''não adianta reclamar''.
Adianta sim, e não há outra forma de conter a corrente exploradora senão a de protestar e agir. Porque este também é o caminho que vai se abrindo para que leis pertinentes sejam modificadas. A ordem de levar vantagem em tudo nunca assolou tanto o Brasil quanto agora. Um exemplo nocivo vem do sistema público, que arrocha nos impostos e não tem medida na obsessão por juntar dinheiro. O setor privado não é menos ganancioso, e seus tentáculos vão se estendendo até onde encontram campo aberto.
Tudo isto encarece o custo de vida dos cidadãos e também e da sustentação do País. Os órgãos de defesa do consumidor e do usuário de serviços funcionam, assim como a Justiça, mesmo que em muitos casos com morosidade. Mas se houver enxurradas de reclamações, essas instituições serão forçadas a agilizar-se. Pela ação do povo, dia chegará em que também a imobilidade dos legisladores será atingida e as reformas da legislação, onde necessário, irão acontecer.
Não há poder maior que o do povo, mas para isto tornar-se efetivo serão necessários a organização e o exercício da vontade. Veja-se que, na Venezuela, os cidadãos acabam de conter o ímpeto de um potencial ditador. Sem violência, mas apenas por uma decisão política. Dizer não, em qualquer circunstância de abuso, é uma prática de cidadania e produz resultados. Que podem não ser imediatos mas que vão produzindo consenso e robustecendo os ideais de resistência contra os arbítrios e tiranias.
Individual ou coletivamente, será preciso, sempre, reagir aos desmando, mesmo que isto às vezes cause estresse e gere atribulações pessoais. Não se resolverá nada com lamúrias se estas não vierem acompanhadas da ação correspondente.





