Reafirmação da fé católica
Este 19 de maio foi reservado ao Brasil para ser a data em que teria sua primeira santa brasileira de origem e vivência terrenas, a Madre Paulina, italiana de nascimento mas que viveu toda sua vida de dedicação e fé em nosso país, primeiramente em Nova Trento (SC) e depois em São Paulo. A partir do Vaticano, na madrugada brasileira e com a presença do presidente Fernando Henrique Cardoso, o Papa João Paulo II volta seu pensamento para o Brasil e celebra o ato de canonização de Paulina, enquanto naquela cidade catarinense milhares de peregrinos assistem ao acontecimento, pela televisão, e promovem uma grande festa.
Madre Paulina chegou ao Brasil aos 10 anos de idade, com os pais, que integravam as levas de imigrantes italianos que vinham em busca de vida nova na América. Converteu-se em freira, e toda sua vida dedicou aos pobres e doentes, primeiro no povoado de Vígolo Wattaro, no município de Nova Trento, e depois na cidade de São Paulo, onde passou a atender crianças negras órfãs e ex-escravos sem teto. Atuou também em Bragança Paulista e a seguir, de novo, na capital.
Para atender especialmente aos carentes, a então jovem Amabile Lúcia Visintainer nome de batismo de Madre Paulina fundou a Congregação das Irmãzinhas da Imaculada Conceição, que hoje conta com 600 religiosas dedicadas aos pobres e doentes, à educação de crianças e adolescentes e à ação pastoral em dioceses e paróquias. Essa congregação está hoje presente em 22 Estados brasileiros e também na Argentina, Chile, Colômbia, Guatemala, Nicarágua, Camarões, Moçambique e Itália.
Paulina é consagrada santa por milagres obtidos por sua intercessão, assim como Nossa Senhora Aparecida, que é venerada pelos brasileiros como a sua santa padroeira, mas que não teve vivência terrena. Aos santos e santas canonizados a Igreja Católica permite que se lhes preste culto de veneração, porém não de acoração.
A elevação, aos altares da Igreja Católica, de uma santa brasileira, ocorre num momento de depressão, no Brasil, pelo desemprego e pela insegurança social de quase um terço da população. Madre Paulina, agora santa, é um forte motivo de reafirmação e realimentação da fé e da esperança para os 125 milhões de católicos deste país, agora seus devotos e necessitados de alento numa época de tanta descrença nas instituições.





