Londrina possui 241 praças públicas. Um número bastante grande quando pensamos que hoje essas praças não são representativas no convívio social para a maioria das pessoas que passam por ela e também pelo descaso do poder público em reativá-las como espaços de lazer, diversão, entre outros. Uma das razões para essa perda de importância das áreas públicas é a própria mudança das formas de lazer, ganhando mais importância aquelas relacionadas ao lazer individualizado e privatizado.

As praças são vistas por significativa parcela da população apenas como locais de recreação para as crianças ou de descanso para idosos, quando na realidade elas poderiam ter outras finalidades e benefícios. A praça é um lugar que propicia o encontro, a permanência, os acontecimentos, as práticas sociais, manifestações da vida urbana e além de tudo, comunitária. Também propiciam a interação entre o homem e a natureza, o que gera uma sensação de bem-estar ao ser humano.

Na época dos nossos avós era comum o costume de passar o tempo livre e os finais de semana nas praças e parques da cidade, ocupando as ruas. Porém, a mudança dos hábitos e da própria configuração das cidades, aliado ao descaso do poder público em manter esses locais bonitos, jardinados e seguros, fez com que as praças se tornassem mais desertas, e porque não, abandonadas.

Com o desenvolvimento industrial surgem outras formas mais sofisticadas de diversão e aparentemente mais atrativas, tais como, aparelhos eletrônicos, playgrounds de apartamentos/casas e o consumismo. Essa mudança na cultura faz com que as pessoas tentem estabelecer relações através do consumo e não do convívio social na origem da palavra. De certo modo, as pessoas atualmente não conhecem seus vizinhos, nem seu bairro e muitas vezes não sabem que tem uma praça pertinho delas. Como levar as pessoas de volta às praças? Como reavivar nelas à vontade de ir a um ambiente público?


Acreditamos que uma boa maneira de reocupar as praças seria o aumento de sua atratividade através de sua promoção e divulgação, ou seja, despertar uma vontade nos cidadãos. Isto poderia se dar, por exemplo, através de feiras, gastronômicas, artesanais. As pessoas precisam recuperar a cultura antiga de uso das estruturas urbanísticas de suas cidades, e por esta nova relação trazer de volta esta ligação da população com a coisa e a praça pública.

Uma boa gestão das praças também é extremamente importante, pois não basta apenas revitalizar o local e incentivar a ida das pessoas até ele. A praça deve estar sempre limpa, com os jardins bonitos e bem cuidados e apresentar diversas opções de lazer. Dessa forma, o problema da violência e da insegurança diminui, e os custos decorrentes disso também. Seria importante também a implementação de políticas públicas que visem a realização de eventos culturais, esportivos e de incentivo à economia local, o que certamente ajudaria a despertar novamente nas pessoas a cultura de frequentar e cuidar das praças.

A praça é pública, e a gestão do que é público é da prefeitura. No entanto, nada impede que a reconstrução do que são praças públicas possa ser em conjunto com a população, ou seja, os dois podem construir juntos a revitalização e a ocupação permanente desses espaços. No Rio de Janeiro, por exemplo, moradores se mobilizaram para revitalizar áreas pública abandonadas pelo poder público e pela população. As mudanças na praça foram inspiradas na metodologia americana chamada de Placemaking. Criado na década de 1980, nos Estados Unidos, o método prevê o planejamento e a gestão de espaços públicos com o objetivo de estimular maior interação entre as pessoas. A ideia é criar pontos de encontro — sejam eles parques, praças, ruas ou calçadas — ou transformar os já existentes em lugares mais agradáveis e atrativos.

Ninguém melhor do que a própria população, para dizer o que lhes interessaria fazer ou o que as motivaria a ir a estes locais. Afinal, quem não gostaria de aproveitar esses lugares energizados com opções de lazer e cultura, abertos e gratuitos?

MATHEUS HENRIQUE CHIODI DE OLIVEIRA e GABRIELA PALMA E SILVA são alunos de Administração da Universidade Estadual de Londrina

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