Quando um Governo, que se pressupõe auto-suficiente, opera sozinho, está mais sujeito a cometer equívocos e omissões, como ocorre com o Programa de Aceleração do Crescimento, o PAC. Em face disto, as medidas contidas no pacote – e que serão ainda examinadas pelo Congresso – já estão gerando posições reticentes dos parlamentares, retardando o processo. Teria sido diferente se o exame das propostas houvesse ocorrido antes, em conjunto com os governadores, com as lideranças parlamentares e com as classes representativas da produção e dos serviços. O setor rural não foi contemplado, assim como não o foi o industrial, embora a desoneração de certos itens beneficie a este indiretamente.
  Partidos fora do eixo das coalizões com o Governo criticam a prioridade de investimentos públicos, contida no PAC, em detrimento dos privados – uma opinião aliás manifestada neste espaço tão logo o pacote foi divulgado. Um dos pontos também criticados é o propósito do Governo de lançar mão (no âmbito do pacote) de R$ 5 bilhões do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço para investimento em infra-estrutura. Houvesse crença na seriedade dos compromissos do Governo, não haveria mal, mas esse dinheiro pertence aos trabalhadores e o Governo quer tomá-lo, sem consulta a ninguém, como empréstimo. Conhece-se a história de pedidos semelhantes, o dos compulsórios, que só estão sendo devolvidos por via de ações judiciais, quando tal deveria ser um procedimento espontâneo e natural.
  Agora o presidente Lula corre atrás dos presidentes dos partidos para pedir-lhes apoio ao pacote, o que poderia ter sido feito antes e com mais probabilidade de consenso. Governadores estão insatisfeitos e elaboram sua pauta reivindicatória, porque quando o Presidente chamou-os para um exame prévio, o pacote já estava fechado. Agora eles são chamados para outra reunião, no início de março (e por que tão longe?). É certo que o PAC é uma peça inconclusa, e em clima de insatisfação de tantos governadores o Congresso não o aprovará da forma que está. Uma melhor distribuição do bolo tributário, para as diversas regiões do País, e a negociação das dívidas dos Estados para com a União, são posições firmes da maioria dos governadores, e isto tem a ver com este plano econômico.
  São sete medidas provisórias e cinco projetos os contidos no pacote que o Congresso terá de examinar. E, com certeza, muitas confabulações serão necessárias. Haverá também resistência de ordem puramente político-partidária – uma prática sistemática do PT em governos passados. Há uma desigualdade na distribuição regional de renda, e por extensão também os seculares desníveis sociais no seio da população. Espera-se a sensibilidade do Governo para os adendos que virão dos 27 governadores. Aprovado esse consenso, haverá mais livre trânsito no Congresso para o referendo ao PAC, atendendo-se assim à conveniência de todos e sem prejuízo de serem aprovados também muitos itens contidos no projeto original.

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