Reações governamentais contra imprensa
As teses defendidas pela imprensa são niveladas pelos homens públicos e os detentores de outras formas de poder segundo o que lhes convêm. Essa posição não tem validade a priori, porque é certo que de elogios ninguém se queixa, mas se houver críticas, só os sensatos têm a necessária altivez de avaliá-las e disso tirar proveito útil. Na entrevista coletiva do presidente do PT, Marco Aurélio Garcia, ele pediu primeiro o nome do jornal representado pelo jornalista que lhe dirigia uma pergunta que certamente não o agradou e respondeu de abrupto: Não pense você, que é do jornal O Estado de S.Paulo, que as teses de seu jornal são verdadeiras. É do conhecimento dos leitores desse veículo paulista sua linha editorial combativa, marcadamente de alerta sobre problemas brasileiros, e quando eles têm a ver com as políticas públicas os dardos atingem o Governo. O presidente Lula não tem sido poupado, tanto nos editoriais que mostram a opinião do jornal quanto na maioria de seus articulistas, embora seus espaços sejam abertos também para os que defendem o Governo. Com este escrito, o que se deseja fazer é, antes, uma defesa da imprensa, sempre criticada quando se posiciona em determinada questão que não agrade aos governantes, e naturalmente aplaudida quando os agrada. Ambos direitos assegurados dos veículos que criticam e dos governantes que não gostam mas no Governo Lula aconteceram várias demonstrações de ranços ditatoriais contra a imprensa, aí entendida a mídia impressa e eletrônica. Não faltou a tentativa oficial de criar um estatuto cerceador, se não fossem suficientes a já existente Lei de Imprensa, que regula a atividade jornalística, e a própria Constituição. Se há concordância ou não, da opinião pública, com tudo o que o tradicional jornal escreve sobre o Governo, o que tem de prevalecer é a liberdade de imprensa. Nada do que é escrito por esse veículo que tem sede no Estado de maior influência econômica do País constitui algum perigo para a estabilidade das instituições, mas pode ter para as veleidades do Governo e sua ambição de surfar sobre seus erros livre dos olhares vigilantes da mídia, que retrata em instância final a opinião pública, convertida em opinião publicada. Não é certamente a imprensa a inimiga do Governo. Os inimigos são certas figuras que pontuaram com grande poder e grandes estragos à testa de influentes cargos do próprio Governo, e as políticas governamentais desacertadas.





