Reação do mercado ao acordo com FMI frustra presidente do BC
PUBLICAÇÃO
quinta-feira, 15 de agosto de 2002
Agência Estado 
Rio - O presidente do Banco Central (BC), Armínio Fraga, reconhece estar decepcionado com a reação do mercado financeiro ao anúncio do pacote com o Fundo Monetário Internacional (FMI). Depois de uma rápida melhora dos indicadores financeiros na quinta-feira da semana passada, primeiro dia de funcionamento do mercado após o anúncio, o dólar e o risco Brasil voltaram a disparar.
Para Fraga, essa reação pode ser atribuída à falta de compreensão sobre o pacote e à interpretação equivocada de que os principais candidatos à Presidência da República não cumprirão o acordo. Fraga acha que o acordo é tão bom que seria ''suicídio'' e ''tolice'' que não fosse aproveitado pelo próximo presidente. Ele não acredita que isso ocorra.
O presidente do BC considera que o grande encurtamento dos prazos de rolagem da dívida pública é um movimento ''tático'', enquanto durarem as incertezas. Fraga disse que o esquema de repasse de linhas de financiamento à exportação pelo BC sairá em questão de dias, e atribuiu a dificuldade de rolagem dos swaps (trocas) cambiais à falta de demanda por hedge (proteção).
Ele ressaltou a grande importância do tamanho do acordo com o FMI, de US$ 30 bilhões, e lembrou que a parte utilizável das reservas brasileiras, no âmbito do acordo, sempre pode aumentar. O FMI permite o uso, até um determinado piso, das reservas líquidas. Como as reservas excluem os empréstimos do FMI, é como se estes não pudessem ser usados.


