Quando éramos a 5ª Comarca, tínhamos pequenas usinas, tais como as usinas de Chaminé, Guaricana e Figueira. Essas empresas forneciam serviços de baixa qualidade e não dispunham de recursos para incrementar a infra-estrutura necessária para o desenvolvimento econômico do nosso Estado.
A formação da Copel se deu em meados da década de 50, mas de fato passou a ter uma ação efetiva a partir de 1961, quando encampou as usinas do Departamento de Água e Esgoto do Estado (DAEE). Até esta data eram várias empresas que atuavam isoladamente, atendendo algumas cidades.
Com a vontade política de governantes do passado e com a poupança do povo do Paraná, construímos a Copel, iniciando a virada do modelo com a construção da Usina Governador Parigot de Souza, com 250 megawatts. Com a construção de Foz do Areia (1.650 megawatts) o Paraná se tornou auto-suficiente, e com a entrada de Salto Segredo (1.260 megawatts) o Estado passou a ser superavitário em energia. Com Salto Caxias (1.240 megawatts) manteve a dinâmica de crescimento.
Paralelamente à geração de energia, implementou-se um complexo sistema de transmissão e para chegar ao consumidor final desenvolveu-se um gigantesco sistema de distribuição. Sem dúvida nenhuma tudo isso fez da Copel a maior empresa paranaense.
Hoje a companhia atende com energia mais de 98% da população, e não deve ser medida somente pelo seu faturamento que gera cerca de R$ 300 milhões de lucro/ano (em 2000 foram R$ 430,6 milhões de lucro), mas também pela sua ação social: atuação em 399 municípios; forte inserção no meio acadêmico, através de convênios, com criação de laboratórios, recursos para pesquisas, socialização de áreas urbanas; desenvolvimento no campo, através da eletrificação rural; políticas do uso de meio ambiente; pagamento de royalties para municípios; patrocinadora de eventos técnicos-científicos; Pólo Tecnológico Industrial do Sudoeste Paranaense.
A Copel tem suas ações negociadas na Bolsa de Nova York, onde tem a companhia de outras poucas empresas nacionais, nenhumas delas do setor de energia. Também atua em outros Estados da federação, em países da América Latina, e inclusive é a primeira empresa do setor elétrico brasileiro a atuar na China, com contrato assinado em 10 de abril de 97.
Nos últimos anos a companhia passou a atuar em outras áreas. Junto com as empresas Andrade Gutierrez e Vivendi (empresa francesa), ela formou um consórcio que comprou 39,71% do capital votante e de 35,16% do capital total da Sanepar. O que gerou problemas entre seus acionistas, pois tanto no caso dessa compra, bem como na da Sercomtel (a telefônica de Londrina), como é praxe do governo Lerner, não foi feito de maneira transparente.
Através de lei estadual foi constituída, junto à Copel, a Compagás (companhia responsável pela distribuição de gás no Paraná). A Copel assinou contrato com a Petrobras assegurando ao Paraná o fornecimento de gás natural da Bolívia, que será distribuído às indústrias paranaenses, podendo chegar até 1 milhão de metros cúbicos por dia.
A Copel foi um enorme investimento feito pelo povo do Paraná, para suprir o Estado com a demanda de energia elétrica requerida a partir da década de 50 e, não atendida pela estrutura privada predominante na época, que não investia no setor. Historicamente, a Copel sempre foi considerada como uma das mais eficientes empresas do setor elétrico nacional, quando não, a mais eficiente. Para se construir as instalações hoje pertencentes e em operação pela Copel, seriam necessários investimentos de aproximadamente R$ 14 bilhões ou US$ 7 bilhões.
A companhia possui 18 usinas em operação com um total de 4.545 megawatts, 6.500 quilômetros de linhas de transmissão e 150 mil quilômetros de linhas de distribuição e um setor de telecomunicações que inclui 45% das ações da Sercomtel e um anel de fibras óticas, que cobrem todo o Estado do Paraná.
Só na última década, a Copel construiu e colocou em operação as usinas de Segredo e de Salto Caxias, que custaram US$ 1,9 bilhão. Apesar desses grandes empreendimentos, as dívidas e compromissos da Copel são pequenos, da ordem de R$ 1,5 bilhão (cerca de US$ 750 milhões).
A Copel tem mais de 2,8 milhões de consumidores e 6.148 empregados tendo, portanto, uma relação de consumidores por empregado acima de 450. São 78,4% consumidores da classe ‘‘residencial’’, 10,2% ‘‘rural’’ e 8,6% ‘‘comercial’’.
A composição acionária principal da Copel está dividida entre o governo do Estado (58,6%), BNDES (26,4%) e Bolsa de Valores (13,2%). Além disso, a empresa tem participação em várias outras companhias: Sercomtel (45%), Compagás (51%), Tradener (45%), Centrais Eólicas do Paraná (30%), Esco Electric (40%), Cia. Nacional Intervias-Onda (50%), F. Chopim Energética (36%), D. Francisca Energética (23%), Ueg Araucária (20%), Sanepar (5,3%). Além dessas participações, a Copel possui ainda: Lactec (20%), Cehpar, Lame, Simepar, Cetis (Pato Branco) e Braspower (42%). A empresa tem patrimônio real aproximado de R$ 13,7 bilhões ou US$ 7 bilhões.
Nos argumentos apresentados pelo governo para tentar convencer a população da necessidade de privatizar a companhia existem muitas falsas explicações. Uma delas diz respeito ao ‘‘Fator de Depreciação’’, necessário a ser considerado para a avaliação patrimonial de qualquer instalação, bem ou equipamento.
No entanto, a Copel, de acordo com legislações absurdas e criadas com interesses privatizantes, que definem até a obrigatoriedade do índice a ser utilizado como ‘‘Fator de Depreciação Patrimonial’’ (conforme é a regulamentação 002/97 da Agência Nacional de Energia Elétrica/Aneel) acaba por ter um valor patrimonial na ordem de R$ 4,9 bilhões, sendo que só na última década gastou R$ 4 bilhões para a construção de duas de suas grandes usinas (Segredo e Caxias). Outra falsa explicação se refere ao endividamento da empresa. A Copel nunca foi uma empresa inviável pelo seu endividamento. As dívidas e compromissos da companhia são da ordem de R$ 1,5 bilhão e tem um compromisso da ordem de R$ 500 milhões com a Fundação Copel.
O que o governo não fala é que a tarifa média de fornecimento da Copel é de 96,21 R$/MWh ou US$ 50/MWh. O da Califórnia (EUA) é de US$ 750/MWh. Ou seja, o preço da energia no Estado da Califórnia, que é fornecida por empresas privadas, é 15 vezes maior que o da Copel. Será que vale a pena importar (e aceitar que se imponha para nós) esse modelo?
Não podemos permitir a venda da Copel, bem como o Estado tem que resgatar as ações em poder do Banco Itaú. A privatização da Copel significa não só privatizar as empresas que fazem parte deste holding, mas também o Rio Iguaçu. O grupo belga Tractebal, que já ‘‘comprou’’ as usinas de Salto Osório e Salto Santiago, no Rio Iguaçu, prepara-se para arrematar as usinas de Foz do Areia, Segredo e Caxias, que são da Copel. Se tudo der certo, para eles, a Tractebal se torna também dona do Rio Iguaçu, trazendo sérias consequências para o Paraná. Os belgas, que lamentaram a perda de seus cerca de 4 mil empregos da Renault, vão se vingar de nós se tornando donos da produção energética do Paraná e de nosso principal rio.
- DR. ROSINHA é deputado federal pelo PT-PR
(Luiz Geraldo Mazza não escreve hoje, por motivo de viagem)

mockup