Analistas afirmam que a alta mundial nos preços dos alimentos é atribuída ao efeito etanol e que a corrida para o biocombustível irá prejudicar a produção de alimentos e gerar mais fome no mundo. Com toda a certeza há ainda muita desinformação a respeito. Se o etanol contribuiu para a elevação dos preços dos alimentos (com reflexos inclusive no Brasil), o fenômeno ocorreu também por outros fatores, como a alta do petróleo e dos fertilizantes e pela frustração de safras em alguns países, mas sobretudo pelo aumento do consumo alimentar em regiões do mundo densamente povoadas, como a China e a Índia, por extensão a África e mesmo o Brasil.
Os produtores tradicionais de petróleo não desejam obviamente o avanço dos biocombustíveis. As pressões contrárias ao etanol (a partir do milho, nos EUA, e da cana no Brasil) são também do Banco Mundial e da Organização das Nações Unidas (pela posição de seu relator especial para o Direito da Alimentação, Jean Ziegler). Até o influente jornal ''The New York Times'' passou a denominar o biocombustível extraído daqueles produtos como o ''demônio etanol'', sob o argumento de que haverá menos produção de gêneros alimentícios e mais desse combustível.
Certamente que não é recomendável, caso do Brasil, cultivar cana para etanol em áreas hoje ocupadas pela produção rentável de gêneros alimentícios, mas a reserva de terras é grande e pode abrigar também essa nova fonte de renda para o produtor rural ou quem se lance no negócio. Não é preciso derrubar matas, porque é grande a área já aberta e existe muita terra degradada que pode ser recuperada para o cultivo de cana. A perspectiva é promissora e deve ser aproveitada.
Naturalmente que é preciso implantar um zoneamento e definir os locais para cada tipo mais conveniente e lucrativo de cultura, sem, eventualmente, afastar tradicionais produtores de sua atividade se isto vier a prejudicá-lo. Se for feito bom uso, terra não vai faltar, e além disso as energias renováveis e menos poluentes contribuirão para a melhoria ambiental. Um risco (como já acontece) é o surgimento de grandes compradores de glebas para o cultivo da cana, formando latifúndios pelo agrupamento de pequenas propriedades e assim induzindo ao êxodo dos pequenos produtores rurais.

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