Razões do 'caso' da aftosa no Paraná
Há uma explicação para o ato do ministro Roberto Rodrigues em declarar a existência de febre aftosa no Paraná, embora nenhum resultado de exame tenha comprovado isso. É que a demora para confirmar um caso de doença no Estado, mesmo que inexistente, estava gerando a acusação, entre os importadores europeus de carne brasileira, de que o Governo não estava conseguindo controlar a situação. O ministro então valeu-se da fórmula simples de inventar um foco. E foi o que fez, ao ''implantá-lo'' em rebanho de São Sebastião da Amoreira. Pressupõe-se que, agora, no seu entender, isto servirá para demonstrar que a situação está sob controle. Ao invés de pronunciar um não à presença da doença, fez o contrário, não se sabendo por quais interesses, mas dá para se fazer conjeturas. Em questão de tamanha importância e responsabilidade, o ministro utiliza-se de uma medida cosmética e assim tudo fica resolvido. Agora Rodrigues informa que está convidando veterinários da União Européia para visitar o Brasil e ''verificar o que está sendo feito''. Certamente, se forem municiados dos laudos dos exames, esses especialistas irão verificar que o que está sendo feito é isto: o achado de chifre em cabeça de cavalo, como costuma dizer a gente do campo. Porque não existe aftosa por aqui. Na contrapartida, o ministro vai enviar uma missão à Europa para tentar abafar o incêndio na floresta. Certo é que os importadores que refletem a posição dos consumidores são exigentes. Se a aftosa não faz mal ao homem, disto não estão suficientemente informados os que, nos países estrangeiros, vão ao mercado comprar carne. Se há suspeita de alguma queda de sanidade, eles procuram os compartimentos ao lado, onde estão produtos de outros fornecedores. Um risco real é o vírus contaminar rebanhos desses países por via de carnes ósseas. O cinismo de Roberto Rodrigues é tão flagrante que ele declarou textualmente: ''O surto no Paraná foi confirmado apenas na semana passada, depois de 47 dias entre as primeiras suspeitas e o teste final que confirmou a aftosa''. Os prejuízos que já ocorrem, segundo o ministro, alcançam 250 milhões de dólares apenas no item da exportação de carne pelo Brasil. Não se conta aí o dano sofrido pelos pequenos produtores do Paraná, especialmente os de leite. Esta novela sinistra terá ainda muitos capítulos, não se acreditando que a normalidade das compras externas se restabeleça tão cedo. Fala-se em pelo menos seis meses, isto se não se alastrar ainda mais a corrente da doença, que, por ora (dentre as regiões exportadoras de carne) está circunscrita a um ponto regional de Mato Grosso do Sul. Quando o Paraná se livrará desse estigma, não se sabe, porque primeiro será necessário mandar embora a aftosa arranjada e depois iniciar o processo de recuperação dos mercados. Se o ministro já se mostrou inimigo do Paraná, imagina-se o que de ruim ainda vem pela frente!





