Razão política do encontro de Lula com prefeitos
A posse dos novos prefeitos já seduz o presidente Lula, que quer vê-los em Brasília dia 12 de fevereiro. O encontro já está definido e com certeza lá estarão todos eles, que serão recepcionados pelo chefe do Governo e pelos ministros. O pretexto do Presidente é fazer-lhes apelo para um esforço conjunto em resposta aos temores da crise financeira que abala o mundo e, embora não intensamente, atinge também o Brasil.
Mas a razão oculta dessa recepção gigante não é outra senão solidificar as bases para a candidatura da ministra Dilma Rousseff à Presidência da República em 2010. Assegurando a continuidade das obras nos municípios, por via do Programa de Aceleração do Crescimento e com o engajamento dos prefeitos, a popularidade do Governo se robusteceria e estaria criado o palco para a entrada em cena da predileta de Lula para sucedê-lo. Menos mal que esse esforço coletivo se realize, pela causa do desenvolvimento, mas o objetivo de tudo é declaradamente político.
O enfoque dessa reunião é a área social, justamente a que toca o povo carente e dá pontos no ibope presidencial. Com Lula bem situado no conceito popular, o caminho ficará mais fácil para influenciar o próprio PT a não desviar da meta, que é a indicação da superministra (que tem também muitos adversários no partido e ao se redor) e granjear a simpatia do eleitorado. O Presidente quer que as políticas sociais do seu governo cheguem à periferia, e para isso já recomendou aos ministros do setor que façam um levantamento dos programas e ações pertinentes que estão encontrando dificuldade para chegar ao povo, e isto poderá ser facilitado pelos municípios. Prefeitos novos na maioria, os que acabam de assumir não deixarão de acatar tanta generosidade, porque seus munícipes também se beneficiarão. Natural que o Governo federal também quer a contrapartida dos municípios e dos estados, embora estes se queixem das limitações orçamentárias. Por isso uma boa conversa em Brasília com os prefeitos será providencial para ajustes que forem convenientes.
Com essa estratégia o presidente Lula atende a duas metas: a continuidade do PT no poder, e com a mesma cajadada nocautear problemas que a crise gerou ou ainda possa gerar. Um ensaio do que será esse encontrão já se realizou no mês passado em Brasília, com a presença dos então 335 prefeitos petistas, seus vices e vereadores, num total de 1.200 pessoas. E a estrela da festa não foi outra senão a ministra. Os novos prefeitos já estão sendo convocados a apresentar os problemas sociais mais sérios de suas comunas e a listagem de reivindicações.





