RAVES NA BERLINDA - Manifestação cultural ou baderna?
PUBLICAÇÃO
sexta-feira, 21 de março de 2008
Thiago Nassif<br>Reportagem Local 
Diversão ou transcendência? Com defensores e detratores, as raves - festas regadas a muita música eletrônica que se estendem por horas e horas - volta e meia são vinculadas ao consumo de drogas. Organizador de festas do gênero, Gabriel Baú acredita que as raves sofrem muito preconceito. O promoter defende as manifestações, revela de onde vem a receita das festas e dispara: ''Os traficantes são péssimos sob todas as perspectivas para as festas, sejam elas morais, éticas ou financeiras''.
Muito se fala sobre as raves. Afinal, elas estão mais para diversão ou transcendência?
Em primeiro lugar, é preciso levar em conta que as festas de música eletrônica são manifestações culturais. Como bem sabemos, as manifestações culturais, isto é, que envolvem arte visual, música e amizade, são previstas em Lei. Para conseguir uma licença para a realização de um evento de grande porte preciso passar por 23 etapas. Isso mesmo, 23 etapas. São contratos, documentos, alvarás de segurança e alvarás territoriais.
Mas ultimamente muitas notícias e fatos ligam as raves ao consumo de drogas. De onde vem a receita das festas?
Nossa receita vem da venda efetuada na área de alimentação e nos bares. Portanto, os traficantes só nos atrapalham, pois, além de tirarem o dinheiro que poderia circular em nosso evento, nos causam problemas. Nunca tivemos conivência com traficantes e estes provocam prejuízos em todas as esferas. Imagine só: se alguém passar mal em virtude da ingestão de substâncias proibidas, quem paga a conta? A estrutura utilizada será a nossa e isso gera mais custos. Por essas e outras que os traficantes são péssimos para as festas, sob todas as perspectivas, sejam morais, éticas ou financeiras.
A segurança não é falha?
Sempre instruímos nossa equipe a encaminhar às autoridades quem portar qualquer tipo de objeto de caracterize contravenção. É regra. E mais: diferente do que muitas vezes é noticiado, a polícia está nos eventos, tanto para realizar seu trabalho, como por solicitação dos organizadores.
Há a discussão sobre a proibição das raves. Como vê toda essa polêmica?
A discussão em torno das raves mais uma vez tomou outro caminho. Se há mortes em rodeios, eles serão proibidos? Cogita-se isso? Da maneira como as coisas soam, não posso deixar de crer que há um extremo preconceito em relação às festas e à música eletrônica. Num grupo de 10 mil pessoas que vão a uma rave, em que dez são usuárias de drogas, todas que lá estão se tornam ''drogadas''? Estão travando uma guerra contra as raves e se esquecem que as drogas estão nas escolas, nas feiras, nos shows sertanejos e demais gêneros, em muitos banheiros de estabelecimentos de luxo e por aí vai.
Caso proíbam a realização das raves, o que vê como resultado?
Além de não surtir nenhum efeito, a proibição pode abrir caminho à realização de festas irregulares e ilegais, sem alvarás, fiscalização ou pulso firme das autoridades. Trata-se de uma escolha: ou se fiscaliza e se encara a rave como manifestação cultural ou estaremos fadados a ter notícias de nossos filhos frequentando festas clandestinas entregues à sorte. O efeito estaria mais para contrário.
Mas a polícia está de fato nas festas?
Sim e tem feito um ótimo trabalho, ao lado dos organizadores. Aliás, acho válido as festas rave estarem abertas à informação. A somatória de vigilância, organização e imprensa são o caminho na guerra contra as drogas. Além de gerarmos um sem fim de empregos, que vão do DJ à portaria, muitas das festas organizadas em Londrina têm mantimentos e roupas revertidos à comunidade carente.


