Rapidinho, Ligeirinho, Vapt Vupt... Os nomes das centrais de mototáxi em Londrina dão a exata dimensão da velocidade com que o serviço é realizado. Em razão disso, difícil encontrar uma central de mototáxis sem acidentados. A lista é longa: pino no braço, na perna, rompimento do baço, fratura de ossos, além das mortes.

A FOLHA conversou com vários mototaxistas de Londrina e publica a seguir, sob condição de anonimato, as declarações de R.R.O, de 20 anos, que fala abertamente sobre as barbaridades cometidas no tráfego. Por outro lado, ele disse que a população deve exigir menos pressa no transporte de passageiros e entregas antes de cobrar um trânsito mais seguro.

Os motoristas fazem muitas críticas aos motoqueiros. A relação é bem conflituosa, não?
Sim, porque quase 90% do pessoal que anda de moto é abusado. Moto é rapidez, mesmo para quem não usa a trabalho. Quando você está de carro, é mais lento, você tem de parar atrás do outro, e na moto não, você sai desviando e cortando tudo. Você tem de fazer a entrega rápida, pegar um cliente rápido, ou deixar ele rápido, então pra gente é bem corrido.

Você trafega entre os carros fora da faixa?
Sim. Passar entre dois veículos é 100% do dia, qualquer fila que você vê, você está passando no meio. Sei que é proibido e teria de parar atrás, mas não tem como. Moto tem de andar rápido, principalmente o mototaxista, porque um ou dois minutos significam um cliente te ligando, reclamando. Se você não atende rápido, ele procura outro. Então, a gente acaba sofrendo acidente por isso. Na semana passada vi uma batida, o rapaz foi entrar no ''corredor'', veio outro, deu bem no meio dele...

Então a má fama dos motoqueiros é devida?
Na maior parte das vezes é. Só que existe bastante motorista também que não respeita. Pelo fato de acontecer isso, muitas vezes o motoqueiro está certo e o motorista não respeita, ele está vendo que o motoqueiro está vindo atrás, ele dá seta e entra de uma vez, ou nem dá seta. Ele não respeita porque está de carro e é mais seguro. A gente não, a gente bateu, vai pro chão. Eles tem a lataria antes.

Você não tem medo?
Se for parar para pensar, dá até medo, mas se tiver medo de morrer, tem de trabalhar em outro lugar. O cliente já chega pedindo pressa, diz que está atrasado para o serviço, ele já chama o mototáxi por isso. Senão a pessoa pegaria um carro, ou o ônibus. A gente tem de pegar corredor senão vai fazer o mesmo tempo do carro. Para nós já é normal, você está sempre andando a 100km/h numa via em que pode andar a 60km/h.

Os mototaxistas recebem cursos de direção?
Olha, dizem que a Polícia Militar dá um curso lá no batalhão quando vai se formar mototaxista, mas eu não fiz porque não tinha vaga na minha época e a CMTU liberou as inscrições sem o curso. Então, já ouvi falar, mas não sei se é sobre a forma de dirigir.

Não há qualquer tipo de curso periódico, de acompanhamento?
Aí não, do meu conhecimento não tem nada.

Como fazer o motoqueiro respeitar as leis e o limite de velocidade?
O único jeito seria o cliente dizer: eu não estou com pressa. Mas é difícil porque aquele não está com pressa, mas você pode ter outro cliente com pressa esperando. Para obrigar a gente a parar de andar rápido, teria de instalar mais radares de velocidade, aí não teria jeito. Mas precisaria ser para todos, porque está cheio de carro batendo sozinho por causa da alta velocidade.

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