Ranking mede simpatia pelo populismo
PUBLICAÇÃO
sexta-feira, 03 de maio de 2019
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O populismo encontra no Brasil uma forte tendência de adesão. Essa predisposição foi comprovada por meio de uma pesquisa realizada pelo instituto de pesquisa YouGov e por acadêmicos da Universidade Cambridge. O estudo, realizado entre fevereiro e março, em 19 países, colocou o Brasil no topo do ranking que mediu a aceitação da população a ideias populistas. Quarenta e dois por cento dos brasileiros entrevistados demonstraram apoio sólido a essa prática política. É o dobro da média global. A África do Sul, que ficou em segundo lugar, alcançou 39%.
O índice de populismo foi medido de acordo com a quantidade de participantes que dizem concordar fortemente com estas duas afirmações: “meu país é dividido entre pessoas comuns e as elites corruptas que as exploram”, e “a vontade do povo deveria ser o princípio elementar da política deste país”.
A pesquisa foi publicada nesta quarta-feira (1) pelo jornal britânico The Guardian. Segundo a reportagem, 84% dos brasileiros entrevistados declararam concordar em algum grau com a afirmação de que o governo do País representa principalmente uns poucos interesses de poderosos que estão preocupados consigo mesmo.
Está bem claro que o descrédito com a política contribuiu com esse posicionamento. Os escândalos sem fim de corrupção ajudaram a fortalecer a predisposição a cultuar líderes políticos que apelam diretamente às massas, tratando de estabelecer vínculos emocionais com o povo, chamando para si a “tarefa” de fazer justiça social e restabelecer na nação a esperança.
A América Latina é um campo fértil para quem quer estudar os governos populistas, que desde a década de 1930 se revezam pelo continente. Getúlio Vargas, no Brasil, Juan Domingo Perón, na Argentina, são alguns exemplos. Agora, no entanto, os adeptos dessa nova corrente populista têm nas mãos uma arma poderosa: as tecnologias da comunicação. Nos tempos atuais, é muito mais eficiente compartilhar ideias populistas por meio de redes sociais, ambiente onde circulam pessoas inclinadas a acreditar em fake news e teorias da conspiração.
A cada nova eleição o Brasil contribui para preencher a cota global de políticos populistas. A nossa história está cheia de caçadores de marajás, justiceiros, perseguidores de bandidos e pais dos pobres que se preocupam mais em atender os anseios de seus grupos de eleitores do que equilibrar uma economia desarranjada.
Há tanto tempo convivendo com os populistas, não deveria ser tão difícil identificá-los, mesmo que se trate de um conceito complexo, que vem mudando de tempos em tempos. Mas ao contrário, imersas em suas “bolhas de informação”, sem conseguir emitir opiniões e analisar fatos, muitas pessoas acabam envolvidas mesmo é pelos “salvadores da pátria”.


