O Brasil, infelizmente, estremece a cada novo resultado de estudo feito por organismos que tratam da questão da violência. O mais recente deles, denominado Mapa da Violência 3, foi divulgado ontem e ganha as páginas dos jornais hoje. Foi feito pela Unesco, a agência das Nações Unidas para a educação, cultura e ciência, em parceria com o Instituto Ayrton Senna e o Ministério da Justiça. E tenta mostrar como a violência atinge os jovens.
A conclusão central: o número de homicídios de jovens aumentou 77% no Brasil em 10 anos. Alguns números: em 1991, 10.036 jovens brasileiros entre 15 e 24 anos foram assassinados. Em 2000, foram 17.762, 39,2% de todas as mortes nessa faixa etária. Uma parcela significativa delas (30,5%) envolveu armas de fogo. O balanço final: o homicídio é a principal causa de morte de jovens no Brasil. A posição desconfortável: o Brasil é o 3º lugar em um ranking de homicídio juvenil entre 60 países. E, por fim, a avaliação chocante: ‘‘São dados muito fortes. São números maiores que os da Intifada, que matou 1.400 pessoas em 17 meses em Israel, onde há uma guerra declarada’’.
A afirmação é do autor do estudo, Jacobo Waiselfisz, diretor do escritório da Unesco em Recife. E, aqui, cabe reforçar que não para estar bem num ranking, mas para garantir vidas, já é hora de pensar numa política de combate a esta situação. Embora tarde, vale como prova de recuperação para um governo que pouco fez para eliminar esse verdadeiro campo minado.
Walter Ogama

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