Ranking divulgado pela ONG Transparência Internacional mantém o Brasil no grupo de alerta dos países que não diminuem a percepção de corrupção ao longo dos anos. Apesar de termos melhorado três posições com relação ao ano passado, o País aparece na 69ª colocação entre os 175 países avaliados, mesma posição alcançada em 2012 – no ano passado havia atingido o 72º lugar. Em uma escala de 0 (altamente corrupto) a 100 (muito transparente), o Brasil obteve 43 pontos. O problema, segundo a entidade, é que o país não consegue ultrapassar a faixa dos 50 pontos porque não consegue superar a prática.
Ainda que a Operação Lava Jato, que apura desvios de recursos públicos e pagamento de propinas na Petrobras, tenha sido desencadeada e responsável pela prisão de várias pessoas – entre doleiros, agentes públicos e privados e diretores de grandes empreiteiras – a corrupção impera. Muitas outras "operações Lava Jato" terão que acontecer para que o País reduza significativamente a prática. Tanto que na terça-feira o ex-diretor de Abastecimento da Petrobras Paulo Roberto Costa, apontado pelas autoridades como um dos cabeças do esquema de desvios na estatal, afirmou que as mesmas irregularidades encontradas na estatal se repetem em outros setores que recebem investimentos do governo federal.
Nas palavras de Costa, "o que acontecia na Petrobras acontece no Brasil inteiro: nas rodovias, nas ferrovias, nos portos, nos aeroportos, nas hidrelétricas". Não é novidade que práticas de desvio de dinheiro público e pagamento de propinas ocorrem em praticamente todas as esferas do governo. No entanto, não deixa de ser chocante ouvir palavras como aquelas de uma pessoa que tanto tempo ocupou funções estratégicas e manteve contato com tantos políticos. Reforça a tese de que o objetivo maior da maioria dos políticos é apenas tirar algum proveito próprio.
No entanto, não se pode desanimar. É preciso que a sociedade fique vigilante e atenta aos gastos públicos. O combate à corrupção deve ser um compromisso de todos.

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