O cidadão, com sentimento de raízes, não quer ser oposição nem polêmico. Quer apenas ter fé que todos os filhos e netos vão ter um espaço, não só para atender as necessidades básicas, mas também com qualidade de vida. No campo, havia muita qualidade de vida! Com saudade, pessoas da época comentam a fartura, o respeito, a partilha, a simplicidade e a amizade. Valores tão raros hoje em dia! Veio o grande desenvolvimento. Riqueza econômica, devida a adubos, tecnologias e insumos vindos de fora e de muito longe. Entrou dinheiro, mas o dinheiro que entrou está ficando insuficiente para combater as pragas e os problemas decorrentes do desenvolvimento rápido. Crescimento este, dependente e estranho à aptidão natural do lugar.
Além dos problemas no campo o desenvolvimento causou, com o êxodo rural, sérios problemas urbanos. Desligados da terra, em nosso modo de vida, somos ameaçados por um colapso hídrico e energético. Na ânsia de encontrar um responsável culpa-se a agricultura. A Agência Nacional das Águas (ANA) informa que 72% da água doce disponível é gasta no agronegócio voltado à exportação. O agronegócio, contudo, sustenta a economia do Brasil, além de produzir nosso alimento. Negociar é base da convivência humana. Mas no planejamento de "grandes e novos negócios" estamos ausentes. Será que o consumismo nos satisfaz? Precisamos de empregos e logo aparece a palavra "industrialização". Esquece-se que um desenvolvimento industrial baseado em potencial humano, dinheiro e insumos vindos de fora, é risco de crescimento efêmero e insustentável. Frases repetidas como "Os impostos que vamos arrecadar das novas indústrias irão sanar todos os problemas" não bastam. Novas indústrias também trazem novos problemas! Nos parques industriais existentes são frequentes as placas: "aluga-se ou vende-se". Sanar, melhorar o espaço e investir nos empreendimentos já existentes, seria algo sólido com renda e empregos novos. O Estado pago por nós não pode atrair com subsídios e facilidades indústrias novas, sem antes solucionar de maneira satisfatória e duradoura nossos sistemas de saúde, educação, segurança e saneamento. Remediar custa infinitamente mais caro do que prevenir. Se considerarmos o ditado "Os políticos vão, o povo fica" temos que cobrar políticas duradouras. Políticas que, a partir de um potencial local, permitam um desenvolvimento gradativo e contínuo. É pouco sustentável atrair empresas estranhas, dependentes de subsídios e agrados.
Por mais distante, o exemplo de Nova York é válido como experiência para qualquer realidade. Nova York, densamente povoada, é reconhecidamente desenvolvida. O "Central Park", cartão turístico mundial, é refúgio para a população estressada e presa na "selva de concreto". A grande área nobre forma uma ilha arborizada e rodeada de infraestrutura destinada ao lazer, gastronomia, turismo, educação, arte, cultura e fonte de uma infinidade dos mais diversos serviços e empregos no meio da cidade. O cidadão de uma megalópole encontra no Central Park o tão vital espaço de qualidade de vida.
No Norte do Paraná, região com 2,1 milhões de habitantes, o município de Rolândia ainda não está totalmente tomado pela urbanização e poderia naturalmente se tornar um precioso e lucrativo oásis. Rolândia já tem fama turística e inúmeros empreendimentos urbanos e rurais que trabalham nesse sentido. Um parque central para uma região metropolitana não é um luxo, é uma necessidade. Rolândia deveria ganhar apoio de seus vizinhos para garantir à população esse necessário filão. A rica indústria do lazer, da gastronomia, da educação, da cultura... uma "indústria sem chaminé" que investe no bem-estar hoje e amanhã, além de garantir empregos e conservar recursos essenciais como a água. Nossos filhos e netos poderiam na região formar raízes, amor-próprio e encontrar muitos empregos e qualidade de vida.

RUTH BÁRBARA STEIDLE é aposentada em Rolândia



■ Os ar­ti­gos de­vem con­ter da­dos do au­tor e ter no má­xi­mo 3.800 ca­rac­te­res e no mí­ni­mo 1.500 ca­rac­te­res. Os ar­ti­gos pu­bli­ca­dos não re­fle­tem ne­ces­sa­ria­men­te a opi­nião do jor­nal. E-­mail: opi­niao@fo­lha­de­lon­dri­na.com.br

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