O Brasil é um país racista? Essa questão, levantada em reportagem da Folha de Londrina no último domingo, já deve ter sido ouvida pelos leitores do jornal em outras oportunidades. Mas diante de novos fatos, é muito importante a reflexão sobre o preconceito que os negros enfrentam em todo o território nacional. As estatísticas divulgadas recentemente pelo Mapa da Violência 2012 revelaram 75% de negros entre os jovens que foram vítimas de homicídio no ano de 2010.
Outro dado que leva à reflexão: de acordo com o censo 2010 do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), entre os brasileiros com nível superior completo há 9,8 milhões de brancos e 3,3 milhões de pardos e pretos. Por outro lado, os pretos ou pardos formam a maioria da população sem instrução ou que não terminou o ensino fundamental. Uma visita a um campus universitário é suficiente para constatar que os negros são minoria entre os estudantes e professores. O mesmo acontece em cargos de gerência, diretoria de empresas ou em repartições públicas.
Todos já ouviram relatos de discriminação de pessoas por conta da cor da pele. O caso de um garoto negro, de sete anos, que acompanhava os pais adotivos em uma loja carioca de carros importados ganhou repercussão nacional. O menino teria sido expulso do local por um funcionário do estabelecimento que não percebeu que ele acompanhava o casal.
É revoltante o fato de uma criança ser hostilizada em uma loja de luxo porque é negra e aparentemente estava sozinha. A denúncia dos pais está sendo investigada pela polícia graças ao fato de o casal ter consciência de seus direitos e conhecer a lei que enquadra racismo como crime. Mas quantas crianças negras e pobres já foram expulsas de lojas e shoppings por preconceito e suas histórias nem chegaram ao conhecimento público?
Apesar de a Constituição Federal enquadrar o racismo como crime inafiançável, há muito que se fazer para o Brasil se tornar uma democracia racial de fato.

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