Apesar dos avanços obtidos nas últimos décadas, ainda é triste constatar que nem todos os brasileiros são iguais. Estudo do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea) sobre racismo no Brasil, divulgado ontem, revela que uma pessoa negra perde 1,73 ano de expectativa de vida ao nascer – devido à violência – enquanto a perda de um homem branco é de 0,71 ano. Significa que um negro tem 3,7 vezes mais possibilidade de ser vítima de homicídio do que um branco.
A pesquisa ainda revela a existência do "racismo institucional", expresso principalmente nas ações da polícia. Dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística apontam que a taxa de homicídios entre a população negra é de 36,5 para 100 mil habitantes; entre a população branca o número cai para 15,5. Os números são claros e expressam que essa parcela de pessoas não tem garantido um direito constitucional, conforme redação do artigo 5º da Constituição Federal. A Carta Magna considera que todos são iguais e, inclusive, uma lei federal torna crime a prática de racismo.
No entanto, do que adiantam as leis se não estão sendo cumpridas e nem mesmo por quem deveria garantir a sua eficácia? A resposta é complexa e, nesse caso, não depende só do Estado. Não há soluções fáceis e prontas, uma vez que esse problema existe até mesmo nos países considerados desenvolvidos. Todos precisam fazer a sua parte e a sociedade deve se unir para que o racismo seja eliminado. Um país não pode ser evoluído se continuar a persistir um comportamento como esse, se houver diferenças entre os cidadãos.
Bons hábitos se cultivam a partir de uma boa educação, quesito que o Brasil tem muito a melhorar. A partir do momento que todos forem tratados com mais dignidade, que tenham garantidos os seus direitos poderá ser o início de uma grande mudança na sociedade. No entanto, o problema só será resolvido com uma concentração de esforços.

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