Racismo e comportamento
"Rejeitamos qualquer tipo de discriminação de raça, orientação sexual, origem ou religião. Pelo poder do futebol, podemos ajudar e livrar o nosso esporte e a nossa sociedade do racismo. Assumimos o compromisso de perseguir esse objetivo e contamos com você para nos ajudar nesta luta." A campanha foi lançada pela Fifa durante a Copa do Mundo e repetida pelos jogadores antes das partidas, mas rapidamente já foi esquecida por alguns brasileiros.
Na semana passada, mais um episódio lamentável contribuiu para que as discussões viessem à tona. Durante uma partida entre Grêmio e Santos pela Copa do Brasil, em Porto Alegre (RS), os torcedores gremistas xingaram o goleiro Aranha, do time paulista, de "macaco" e ainda imitaram guinchos do animal. O episódio, assim como as cenas de uma torcedora xingando, ganharam o Brasil e o mundo. Amanhã, o Superior Tribunal de Justiça Desportiva julga ação contra o Grêmio pelo ato dos torcedores. Embora tenha colaborado, inclusive com a apresentação de imagens dos torcedores, a probabilidade que o clube seja punido é grande. E assim deve ser.
O racismo é uma prática que deve ser extirpada da sociedade. Se a própria Constituição Federal garante que todos os brasileiros são iguais e veta a discriminação por sexo, raça ou religião, é preciso fazer cumprir a lei. Ninguém pode concordar que isso continue a ocorrer, seja nas ruas, em locais públicos, com grande circulação de pessoas ou em estádios. O Brasil se autointitula o "país do futebol", cujo rei é Pelé. Portanto, parece um contrassenso que o racismo continue a se perpetuar.
Práticas como essa, ainda arraigada no comportamento dos brasileiros, só acabam a partir de duas iniciativas: punição e educação. No caso do racismo no esporte, torcedores e times devem ser responsabilizados. É a única solução possível a curto prazo. Outra questão é a educação. Crianças e jovens não podem continuar a ser ensinados a segregar pessoas pela cor de sua pele. Está na hora de a sociedade evoluir.





