Quando o então prefeito Dalton Paranaguá lançou a idéia de abastecer Londrina e a região próxima com água do rio Tibagi, e o governador Álvaro Dias a acatou construindo o sistema de captação hoje existente estava sendo resolvida a questão do abastecimento. Desde então nunca faltou água, e a população hoje nem se dá conta disso, pois só na escassez e na falta se identifica e se sente um problema. Também agora, neste período assolador da longa estiagem e com o próprio Tibagi dimunuindo seu estoque, não existe risco de faltar água. O fato é gratificante, mas isto não impede que se use esse líquido com moderação, porque esta deve ser uma postura de respeito às dádivas que a natureza oferece. Ressalta-se aí também a importância de, em determinado momento, os governantes haverem tomado medidas acertadas e de grande duração. Racionalizar o uso da água é, portanto, uma obrigação, mas o brasileiro não é ainda suficientemente civilizado para esse entendimento, ademais consumindo dinheiro do próprio bolso, porque paga pela sua negligência. A perspectiva da meteorologia não é animadora, pois só prevê chuva abundante para setembro. Então o calor continuará forte, não só na região norte, quente por natureza, mas também na invernal Curitiba. Este Jornal publicou ontem uma série de recomendações no sentido de se adotar critérios de responsabilidade perante a água, preciosa sustentadora da vida planetária. Mesmo em Londrina e circunvizinhança, que se valem da captação do grande rio, quanto mais racionalizado o consumo menos água será extraída dessa fonte e mais sobrará para todos. O hábito doméstico mais condenável das donas-de-casa, das serventes e das famílias no geral é manter a torneira permanentemente aberta mesmo sem necessidade, durante um serviço de limpeza, quando ela poderia ser acionada alternadamente. Isto cortaria o consumo pela metade. Pessoas mais criteriosas já utilizam vasilhames nos banheiros para captar a água servida dos banhos e utilizá-la na irrigação de hortas e jardins e para lavar pisos e calçadas. A natureza é pródiga mas também impõe suas sanções. O tempo é também de rever os sistemas de encanamento, para evitar vazamentos, que passam despercebidos a não ser na chegada da conta. Empresas especializadas dispõem de equipamentos que detectam essas fugas indesejadas de água. O homem precisa estabelecer um ponto de equilíbrio com a natureza, abundante em tudo mas exigente na contrapartida da harmonia com ela. Sua generosidade tem sido maior que a retribuição que recebe do ser humano, predador e irresponsável, que não apenas polui a água mas também não a economiza e ainda danifica seus mananciais. Estes tempos de seca são novos alertas para o homem se conscientizar de que precisa adotar uma política para a água, que não pode ser de desperdício e de agressão.

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