O Brasil foi novamente notícia no mundo inteiro, quando militares de Alagoas foram às ruas protestar contra salários baixos e atrasados. O protesto acabou se alastrando para outros estados brasileiros, alguns bastante desenvolvidos como Rio Grande do Sul e Minas Gerais, denunciando que trata-se de uma realidade que não se refere somente a Alagoas. Este levante das forças militares brasileiras mostra uma triste realidade, que é a pequenez do poder público frente à grande demanda social.
Salários atrasados e baixos; hospitais lotados; escolas desatualizadas, enfim, toda uma gama de serviços públicos pede socorro. A cidadania, ou melhor, a dignidade do brasileiro está em jogo, exigindo esforços concentrados para que os governos possam melhorar o atendimento social e regularizar o pagamento dos servidores públicos.
Como homem público e secretário municipal de administração de Londrina, tenho prontamente defendido a racionalização dos municípios, estados e da própria União. Nestes últimos dias assistimos ao drama de alguns estados brasileiros, mas as 5 mil cidades do país sofrem do mesmo mal.
Londrina como a terceira cidade do sul do país não é excessão dentro deste quadro nacional. Desde que aceitei o convite para trabalhar na equipe do prefeito Antonio Belinati tenho defendido a racionalização da estrutura do município.
A máquina soma pouco mais de seis mil servidores estatuários e mais quase dois mil na Frente de Trabalho que trabalham em turnos de seis horas. Estou convencido de que esta estrutura não condiz com os conceitos modernos de administração.
Sou testemunha de que o prefeito Antonio Belinati tem perdido noite de sono preocupado em encontrar solução para conter os atrasos no pagamento dos salários do nosso funcionalismo. Também sou testemunha que a situação de Londrina é absolutamente melhor que a de muitos municípios brasileiros. Temos enfrentado a queda da arrecadação e o inchaço da máquina com atitudes corajosas. Na prefeitura a ordem é a economia de guerra. Todas as secretarias trabalham com cotas contigenciadas.
O que tenho defendido são medidas radicais para evitar que aqui ocorra situação parecida com Alagoas, onde as instituições públicas sofreram grande desgaste. Sou favorável a um enxugamento no quadro de funcionários e consequente remanejamento de pessoal para cobrir áreas deficitárias. Acredito que é preciso racionalizar a máquina, adequando-a à modernidade e sobretudo à capacidade de arrecadação.
Por defender este ponto de vista tenho sido vorazmente criticado pelo sindicato da categoria dos servidores municipais. Respeito o sindicato, mas não posso me acovardar diante de uma situação que poderá se complicar futuramente. Minha defesa é pela racionalização da máquina pública municipal.
Paralelamente a estas críticas, tenho sido elogiado por representantes de diversos setores. São profissionais liberais, professores, jornalistas, políticos, inclusive da oposição e até funcionários públicos. São pessoas que entendem a preocupação que tenho com a dignidade do cidadão de Londrina. Afinal o Paraná com uma economia estável tem condições de manter-se longe dos problemas enfrentados por outros estados do país. Que argumento pode ser maior que a reclamação do contribuinte desrespeitado no seu digno direito de ser bem atendido? E como sustentar uma máquina pública maior do que a capacidade arrecadadora do município ou estado?
A Prefeitura de Londrina vem se empenhando e muito para revolucionar a economia local. O exemplo já é conhecido pela população: a Cidade Industrial de Londrina, uma S/A para tirar do papel o Centro de Eventos e os investimentos - inclusive internacionais já anunciados.
Agora é preciso debater - em alto nível - a redução de nossa máquina municipal. A palavra chave nesta discussão é a racionalização. Vamos gastar mediante o que podemos, acima de tudo atendendo o nosso cliente - o cidadão. É colocar em prática a máxima que aprendemos com nossos pais: dar o passo sempre do tamanho da perna.

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