Racionalização no uso da energia elétrica
Já se ouviu de estudiosos das questões energéticas que o Governo pode frear o investimento em novas usinas hidreléticas ou termais, incluindo as nucleares e iniciar uma campnha para racionalização do uso da energia elétrica. Porque há muito desperdício, sobretudo pela indústria, que consome 40,7% de toda a força elétrica gerada no Brasil. Estudo da Confederação Nacional da Indústria mostra que a demanda de energia seria reduzida em 25,7% se houvesse melhor uso dela.
Veja-se que o alerta parte do próprio meio industrial e conta com o respaldo de um segmento ligado ao próprio Governo. A gerência executiva da Unidade de Competitividade Industral da Confederação demonstra que muitas vezes a energia mais barata é exatamente a que deixou de ser gasta, por uso eficiente. Aquele porcentual equivale em economia a 14,6 milhões de toneladas/força de petróleo. Também o uso racional de fornos e caldeiras, que utilizam petróleo, resultaria em grande economia de gasto desse combustível.
O cálculo técnico é que a indústria brasileira economizaria quase R$ 7 bilhões por ano se readequasse suas máquinas e equipamentos e reeducasse o pessoal. A questão não envolve apenas o barateamento de custos mas a menor aplicação de capitais (necessários para outras obras e serviços) em usinas, significando também menos inundações de terras produtivas e proteção da biodiversidade vegetal e animal e de sítios arqueológicos, assim como menor risco de vasamento nuclear. Os setores industriais de maior consumo são as siderúrgicas, as cerâmicas, as indústrias químicas e as indústrias de papel e celulose. E se estes são os que mais consomem, são também os que mais desperdiçam. A Confederação das Indústrias recomenda a aquisição de máquinas e instalações mais eficientes e de melhor preparo dos que lidam com elas. Em pouco tempo a diminuição de gastos cobriria o investimento e a partir daí o setor industrial seria mais enxuto e lucrativo e com menos poluição ambiental. O esforço para baixar esse consumo deve ser do próprio empresariado e do Governo, até chegar-se também aos domicílios residenciais. No momento escasseiam políticas públicas para projetos de eficiência no setor.
Ao menos o diretor do Departamento Energético do Ministério das Minas e Energia declara que o programa de eficiência energética é uma das preocupações governamentais, e que medidas preliminares a respeito serão tomadas até o final deste ano. É oportuno lembrar que a advertência sobre o abuso no consumo não é um fato novo. Por esse estudo o alerta é feito novamente, restando partir para a execução das soluções apontadas, que interessam à economia das indústrias e precisam contar também com a ação do Governo.





