Racha no PT e ausência de um projeto
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Sem um plano
não há governo
mas só exercício
burocrático
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É sempre desalentadora a constatação de que os partidos políticos, no Brasil, alimentam o ideal maior de assumir o poder mas não têm projetos de governo, destes que promovam o desenvolvimento social e econômico. Os estatutos de todos os partidos são semelhantes e nenhum tem posições concretas para uma transformação nacional por via de grandes proposições e grandes projetos de reformas, algo que seja perene e incorpore o espírito da corporação. Vê-se que agora o PT já vive um clima de racha interno, com vistas à simples disputa dos diretórios estaduais, porque 2006 é ano eleitoral e é para isso que as atenções se voltam. Nunca os olhares se fixam nos problemas relevantes do País o que deveria ser a preocupação primordial de um partido político, ademais quando no poder. O Governo Lula entra no terceiro ano sem realizações expressivas e com poucas mudanças para melhor. As que ocorrem não o são por mérito governamental e sim pela aventura do empreendedorismo privado, que se movimenta, apesar do Governo. Se a administração federal tem pouco a mostrar nesse sentido, as bases partidárias agitam-se para eleger os presidentes de diretórios e o novo presidente nacional do partido, com atenção para as disputas eleitorais, destacadamente nas maiores cidades, e por extensão para a reeleição do presidente da República. O PT, que sempre se intitulou o partido da esperança, guindou um dos seus ao comando supremo da nação mas encerrou aí a missão, quando era ali onde ela deveria começar. Porque o PT, sendo Governo, não levou em seu bojo nenhum projeto concreto de revolução desenvolvimentista e nem formulou algum nestes dois anos de mando. O Governo e o respectivo partido deveriam ser uma só instituição, não se admitindo que ocorram divergências extremadas em seu âmago e oposição ao chefe maior, o presidente da República. Mas é o que está ocorrendo no PT, com alas que caracterizam um partido dentro do mesmo bloco, caso da ultra-esquerdista Democracia Socialista, que dissemina divergências entre ministros atiçando um contra o outro. ''O PT não pode ser capacho do Governo'', proclamou o companheiro Jilmar Tatto. Não se entende como uma declarações destas possa ocorrer, porque o pressuposto é que um partido represente unidade e que não haja capachos ou algozes dentro de seu próprio organismo. Constata-se que o PT, se no geral governa mal quando no poder porque é lerdo nas decisões enquanto o tempo voa não governa bem nem a si mesmo. O racha é uma das ocupações do momento, e o Governo já teve tantas semelhantes, que trouxeram transtornos ao fluxo da governabilidade. O ponto básico em questão é este: brigas intestinais envolvendos o Governo e o próprio partido, e ausência de um projeto de governo que contagie e envolva a nação inteira e resulte em grande salto de qualidade nas instituições, e assim contemple o progresso nacional.





