A cisão criada dentro do Clube dos 13, entidade que reúne as principais agremiações do futebol brasileiro, não acontece por acaso. São milhões de reais envolvidos na decisão do Corinthians, apoiada pela CBF e Rede Globo - atual detentora dos direitos televisivos do Campeonato Brasileiro -, de deixar a associação comandada pelo gaúcho e ex-presidente do Grêmio, Fábio Koff.
Os quatro grandes clubes do Rio de Janeiro (Botafogo, Flamengo, Fluminense e Vasco) e o Coritiba também ameaçaram um levante, mas parecem que vão esperar um momento mais adequado para dar o grito de liberdade. Até porque, para sair, precisariam quitar suas dívidas com a entidade. Apenas os clubes cariocas, juntos, devem cerca de R$ 60 milhões. O Corinthians, sozinho, tem um débito de R$ 22 mi.
Ricardo Teixeira, presidente da CBF e parceiro comercial da emissora carioca, é personagem de destaque na disputa. É fácil perceber que o mandatário do futebol nacional não quer correr o risco de ver a Record ou mesmo a Rede TV!, emissoras que já demonstraram interesse em transmitir o Campeonato Brasileiro no triênio 2012-2014, ganhando o processo licitatório a ser aberto pelo Clube dos 13. Pelo edital aprovado, o lance mínimo é de R$ 500 milhões.
A Globo, se voltar atrás na decisão e resolver participar, terá um ágio de vantagem de 10% em relação aos demais. A emissora carioca, no entanto, já deixou claro que não muda de posição. Na noite de sexta-feira, divulgou nota oficial conclamando os clubes a negociarem seus interesses diretamente com ela, sem a participação da entidade. O Clube dos 13 contra-atacou e, também em nota oficial, falou em surpresa pela decisão ao afirmar que a própria Globo participou da elaboração dos termos da concorrência.
Com tantos mandos e desmandos, discussões, o torcedor quer mesmo saber qual a melhor saída para seu time, que salvo alguma raríssima exceção está mergulhado em dívidas. Na projeção do Clube dos 13, Corinthians e Flamengo saltariam dos R$ 16,8 milhões recebidos atualmente para R$ 42 milhões no novo contrato a ser assinado. Andrés Sanchez, presidente corintiano, está convicto de que pode ganhar ainda mais se negociar individualmente. Quem tem razão? Difícil afirmar no momento. O certo é que o futebol brasileiro deve sofrer uma profunda mudança em sua estrutura a partir do próximo ano. É esperar para ver.

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