Quilowatts no lugar de alimentos
Não é de mais usinas hidrelétricas que o Paraná precisa, porque o Estado é superavitário em produção de energia elétrica e não deve ceder espaços preciosos para inundação, se essas terras férteis produzem alimento. Este é um ponto fundamental, embora a política de preservação ambiental se atenha especialmente a questões como os danos à biodiversidade animal e vegetal, à qualidade das águas e às reservas indígenas. Estes são pontos importantes, porém mais grave é o crime de sepultar terras cuja fertilidade é ímpar para a produção alimentar e no lugar disso produzir quilowatts. Ademais, ocupantes das respectivas áreas serão expulsos e irão inchar as favelas. Os exemplos têm demonstrado isso com exaustão, sem maior preocupação dos governos e dos planejadores de usinas. Se o Paraná, entre outras destacadas vocações, tem como primordial a produção agrícola e pecuária, esta dádiva da natureza não pode ser desprezada. Ademais, por muitos anos o Estado não irá precisar, para o seu consumo interno, de mais energia. O plano de alagar extensas áreas para mover usinas é do Governo federal, que não tem critério e nem prudência, porque faz tudo aleatoriamente e não escolhe lugar, bastando haver rios. Pensa num gigante pool nacional de energia, e isso afora outros danos para o Paraná irá resultar no Estado fornecendo eletricidade barata e tendo de comprá-la a preço mais alto. De início pensou-se em nada menos que 17 dessas usinas, no Paraná, principalmente ao longo do rio Tibagi, cujas margens são de boas terras de pastagem e de plantio. Os estudiosos do ambientalismo e das questões do abastecimento alimentar, atual e futuro, e todas as demais pessoas sensatas deste Estado, têm de impedir a implantação dessas usinas. O governador Roberto Requião precisa ser o primeiro a manifestar-se contra, e bater forte contra essas idéias. Ele tem a obrigação de evitar não usinas, mas as inundações. Este é o ponto fundamental, porque existem fórmulas alternativas de produzir energia elétrica, sem causar desastres à natureza e ao homem. Elas são inúmeras, mas tidas como mais caras, embora venham resultar baratas em face dos prejuízos que a diminuição da produção agrícola e pecuária irá acarretar, com os alagamentos. Se o Governo estadual anterior criou um absurdo como o modelo de pedágio implantado cujos danos terão ainda a duração de 16 anos o governador Requião não pode repetir algo idêntico, com o alagamento de área produtora de bens alimentícios. O Paraná não pode ser entregue em holocausto para atender à sanha de insensatos planejadores de usinas, que se valem de recursos hídricos tão ricos, como os paranaenses, esquecendo-se de que suas margens produzem um bem infinitamente maior, para os brasileiros, que é o alimento que lhes chega à mesa, e necessários também para a política de exportação. ''Hidrelétrica é roubo'', se poderia dizer, como um dia Requião qualificou o pedágio de seu antecessor Jaime Lerner hoje desfrutando da aragem carioca e o Paraná se lascando com o asssalto diário representado pelo pedágio. É preciso agir rápido, antes que a insensatez cometa mais esta.





