Questões estratégicas (Luiz Geraldo Mazza)
Apesar de o governador especialmente falar demais em estratégia há muito pouco nas suas ações que indiquem uma articulação bem fincada e com visão prospectiva, ainda que se reconheça um feito importante, a ruptura com a velha dependência de complementariedade à economia de São Paulo. Ao contrário, há empresas privadas - a Inepar é uma delas - que se preocupam com o tema e de forma sistemática. Isso tanto é verdade que ela criou uma consultoria na qual figuram cabeças incomuns como Aureliano Chaves e o consolidador da Vale do Rio Doce, Eliezer Batista.
Pois nesta semana houve um questionamento em torno da localização de centro de excelência Inepar. Debruçavam-se os interessados associados - Bradesco, CSN, CAS (fábrica de vagões ferroviários) - em torno da melhor alternativa diante do leque abrangente que ia de São Paulo ao Rio, passando por Curitiba, Araraquara e Jacareí. Decisões como essa são de logística e de geopolítica. Araraquara levou a melhor por uma série de fatores: agregação tecnológica em energia, petroquímica e razões locacionais distantes das megalópoles e seus impactos.
Há versões que sustentam a presença do Emerson Kapaz em Curitiba na sexta-feira e que teria perdido o avião para a viagem no dia anterior. O Palácio Iguaçu entrou em polvorosa com a informação, pois a imagem forte vendida é a de que abrimos tudo para o pessoal de fora e observa-se que os da terra dançam.
Perdemos o Bamerindus como expressão autóctone, Hermes Macedo, Móveis Cimo, Nossa Senhora da Penha, Malas Ika (imersa numa briga de sócios com o banco estadual ficando, como sempre, com o mico), Refripar absorvida pela Electrolux, Impressora Paranaense, mais recentemente a Batavo. A tendência vinha de longe, mas algumas delas foram perdidas em batalhas recentes no auge da transformação que a gente faz.
A sede desse centro de excelência poderia ser em Curitiba, gerando aqui o ICMS e a tributação correspondente, desde que atendida também com estímulos de lei. Todavia aí o nosso governador ficaria preocupado em salvar a sua imagem por causa da sua relação de amizade e até integração política ante os sócios Atilano Oms e Mário Celso Petraglia e pularia fora. Como pulou no caso da termelétrica do litoral a carvão por supostos escrúpulos ambientais que se recusou a ver na bacia do rio Iguaçu afetada pelas obras da Renault. Esta, por sua vez, quando viu a barulheira dos ecologistas e ecochatos, tratou de colocar no protocolo que não assumiria qualquer responsabilidade por eventuais danos dessa ordem.
A ironia está naquilo que já destaquei: a empresa paranaense que mais se ajustou à tal globalização (pessoalmente acho isso discutível como exatidão religiosa tanto quanto à chamada economia e ao grande empreendimento) tem que pisar em ovos para fazer qualquer operação interna porque os palacianos ficam apavorados com as denúncias e suposições oposicionistas, havendo até um grupo que chegou ao cúmulo de festejar as adversidades como se deu quando da punição ao Mário Celso Petraglia futebolista. É a ciumeira dos áulicos e também uma grossa falta de caráter. Essas fragilidades de Lerner mostram que não é um condutor, um homem determinado e isso se deve a uma dinâmica de grupo, em que falta aquele que o motive a não se amarrar, a não hesitar como um pêndulo.
BIZARRICE Cúmulo da redundância jornalística: plantar informação na área da agricultura. E a safra aí não é nada desprezível, uma praga.
Vamos pensar em algumas coisas impossíveis: Lerner em conferência ou discurso deixar de fazer aquele mapinha do Paraná. Por favor tirem o pincel (êpa) das mãos dele.
Carvalhinho sair à rua sem o celular, o apêndice eletrônico indispensável.
SPRAY Decisão fulminante do TJ suspendeu a absurda decisão do juiz de Ponta Grossa que reimplantava a censura por causa do episódio Jocelito versus Silvana.- Aliás Silvana é um nome forte: há políticos que muito antes disso não podiam ouvi-lo sem algum nervosismo.- Quem ganha e quem perde com a operação dos 500 carros na Leasing? E qual o prejuízo total da empresa em todos os casos (aquele da Rápido Laser, que não tinha cadastro, de R$ 3,5 milhões de dólares, teria recebido já R$ 600 mil)? Ex-diretores do Banestado falam em R$ 400 milhões, outros registram pouco mais de R$ 100 milhões.- Secretário da Fazenda, Giovani Gionédis, desaprovou a operação, mas há a questão do lançamento em crédito em liquidação, afora as consequências de caráter comercial para os intervenientes.- A história das fitas gravadas e que atingem Rafael Greca vai ter desdobramentos: além dos processos cruzados o desfile do pessoal da antiga equipe do Ratinho na CNT, Canário especialmente, deverá prestar depoimentos. Matéria fecal, desde que curtida, serve de adubo pra campanha eleitoral.-
METÁFORA Pedro Tonelli sabe lidar com abelhas, é sua especialidade. Já o PT não se ajusta ao seu estilo, pois se trata de vespeiro.
FOLCLORE Joceclinton foi o apelido que deram ao prefeito de Ponta Grossa, após a acusação de que teria estuprado uma secretária. Diante do fato, ainda cheio de nebulosidade, muitos recordaram daquela observação samaritana de Maluf: estupra, mas não mata. O episódio lamentável acaba gerando frases infelizes como essa ou a daquele político, desatento, que ao ver a foto da vítima, observou que ela ganhava de longe das cantadas por Clinton. Agora, só falta, para completar, dizer que tudo não passa de consequência da globalização.





