Se a abertura do comércio em todos os sábados à tarde e feriados é uma causa defensável, há algumas questões a considerar, como a de garantir ganho extra a quem trabalha nesses horários e dias especiais. Tem-se defendido o livre comércio e esta é a posição deste Jornal porém na certeza de que isso gere benefício mútuo para patrão e empregado. Partindo dessa premissa, e mais, de que a decisão do trabalho extra seja da vontade individual de cada funcionário, não há porque não dar abertura a esse caminho de modernidade. Em reportagem publicada ontem, a Folha ouviu vendedores declarando-se contra, porque não ganham esse extra e, sim, compensação em forma de descanso em outro dia, o que lhes tira comissão, sempre mais abundante nos dias comuns. Há pois que se contar com o bom senso do comerciante, e caso de Londrina este é um ponto que a Associação Comercial deve examinar. Para ganhar a simpatia dos cidadãos que, na maioria, defendem a abertura do comércio em qualquer dia e em qualquer hora o lojista não pode prejudicar seu empregado. Qualquer negócio, para ser bom e gerar prosperidade, deve favorecer a todas as partes envolvidas.
Há muitos benefícios implícitos nesse sistema, destacando-se o lucro do empresário, o ganho extra do vendedor assalariado e comissionado, a freguesia e, por extensão, o poder público, pela arrecadação tributária. Se houver quebra de um elo desta corrente, então a prática não é plenamente salutar. Melhor seria se, para esses horários e dias extras, vendedores temporários fossem contratados e que também creches funcionassem nesses dias, mediante o mesmo sistema. Respeitando-se (e sem punição) o direito do empregado não deseje esse trabalho extra, assim abrindo oportunidade a um temporário interessado, o sistema funcionará bem. Honestidade de propósitos e honradez são ainda os caminhos mais curtos para o sucesso de qualquer empreendimento.
Se o comerciante tem sido defendido pois é o gerador de emprego em seu ramo e o que, paralalemente com a obtenção do lucro, também arca com os riscos decorrentes de implantar um negócio ele não pode dar margem a reprimendas por conta de injustiças que cometa para com seus auxiliares diretos, que são os vendedores. Se alguns comerciantes se queixam que os shopping centers, por abrir aos domingos e até as 22 horas, lhe tiram fregueses, uma alternativa é fazerem o mesmo. O que não pode ocorrer é o contrário, pois isso seria um retrocesso. Será preciso seriedade e bom propósito, sem visar apenas o lucro, mas também a função social da empresa, e assim a prosperidade florescerá para todos.

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