Se, pelo que se ouve em todas as rodas, ninguém vai votar em Lula, não se explica como o Presidente/candidato está à frente na pesquisa eleitoral e com indicativo de vencer no 1º turno. Esta é uma questão levantada por grande número de cidadãos, alguns votantes pela primeira vez e outros já tendo votado nesse postulante à reeleição mas que agora afirmam não repetir essa decisão. Algo deve estar errado, porque as críticas contra o Governo Lula são generalizadas. Então, há que questionar essas informações e não crer cegamente na validade delas. A pesquisa segue seus ritos mas pode não ser correta e determinante. Até porque o universo das pessoas ouvidas é infinitamente pequeno. E abordadas nas ruas, com pressa, dizem o primeiro nome que lhes vem à mente, e este é o de Lula. No dia de votar é outro momento. Recorde-se do plebiscito do desarmamento. A consulta prévia demonstrava que uma grande maioria era a favor do desarmamento civil, e o resultado foi o que todos sabem: deu o contrário, e por margem substancial. Na última eleição para governador do Espírito Santo o candidato tido como vitorioso pelos números da pesquisa perdeu. Campanha eleitoral é uma guerra de informação e contra-informação. Analistas apontam para o eleitorado da Bolsa Família, mas, a crer-se que todo ele vote em Lula, a pesquisa teria de ouvir apenas essa faixa para alcançar o elevado porcentual anunciado. Este Editorial tem anunciado a vantagem de pontos do candidato situacionista mas sempre citando as pesquisas, porque a conclusão não é com base no desempenho governamental do presidente Lula, que é baixo, e efetivamente não beneficiou classe nenhuma, a não ser os políticos corruptos. Os empresários não têm nenhuma razão para aplaudir o atual Governo, nem a categoria dos profissionais a têm, nem os universitários, nem os jovens recém-emancipados para votar, nem o funcionalismo público (excluindo-se os beneficiados pelas benesses do poder), nem os trabalhadores no geral, e, para concluir, não trouxe benefício expressivo nem para os assistidos do programa Bolsa Família. Um outro dado é que se ouve muitas manifestações de simpatia pela candidata Heloisa Helena combativa, inteligente, embora ela mesma deva saber que não é fácil derrubar barreiras e executar tudo o que anuncia mas seus números nas pesquisas são baixos. Esses mostradores da consulta prévia não oferecem garantia. Muitos segmentos da sociedade esta, por inteiro, desencantada com os governantes questionam se a legislação deva permitir a pesquisa, ou não propriamente que ela seja feita porém que não seja divulgada. Porque a pesquisa é sempre irreal, pelas razões apontadas. Duas questões são postas à mesa: uma, a existência da permissividade legal para a pesquisa e sua divulgação; outra, a validade desse sistema (de abrangência limitada e pelo imediatismo da resposta) como sinalizador de preferências. Não será surpresa se a realidade das urnas mostrar outra coisa.

mockup