Questionar excesso de material escolar
Nesta época de reinício de aulas, o Instituto de Defesa do Consumidor dá indicativos de como adquirir material escolar mais em conta, porém pouco se está questionando sobre a necessidade de cada um deles para melhoria do ensino. Aquele instituto, na verdade, recomenda reclamar em caso de pedidos abusivos, significando que eles existem. Mas os alunos mais adultos, os pais e as respectivas associações vinculadas às escolas, no geral, aceitam a listagem dos professores e vão comprando. Se pesquisam preços e buscam fórmulas de aproveitar livros já usados de quem passou de série, não indagam se tudo o que está sendo solicitado é realmente necessário. Porque, entre professores criteriosos, que sabem dos problemas econômicos das famílias, existem também os que pedem aleatoriamente coisas dispensáveis, e algumas em excesso, que o aluno nem irá consumir durante o ano. Se os professores são malpagos, se eles próprios enfrentam dificuldades pelo pouco que ganham, não são todos que compreendem a idêntica situação dos pais de alunos. Recomendações sobre a necessidade de pesquisar são feitas pelo Instituto, e é grande o contingente dos que protestam, embora estes o façam isoladamente e não no lugar adequado, que é a respectiva Associação de Pais e Mestres e a diretoria das escolas. O custo da educação dos filhos é alto, mesmo nas escolas públicas, por conta dessa listagem extensa e cara, do uniforme, do lanche, do transporte e outros itens. Pais mais conscientes, que acompanham o estudo dos filhos e examinam o material escolar, percebem que, em certos casos, há desnecessidades. Se a causa dos professores é sempre defendida, pela dedicação e pela baixa recompensa financeira, muitos deles estimulam desperdícios, e isto já tem origem na comunidade dos pedagogos aqueles que se ocupam da metodologia do ensino e determinam o tipo de material didático a utilizar. Eles habitam o Ministério da Educação. Não cabe no momento discutir, amiúde, outras questões, como as disciplinas ensinadas e a não-ensinadas (mas que deveriam constar), assim como o excessivo tempo que crianças têm de ficar na escola e o horário matutino excessivamente madrugador. Mas ao menos deveria haver pacotes de material escolar genérico, que as indústrias papeleiras e de outros quesitos deveriam obrigatoriamente produzir, por determinação do governo e marcadamente por este ora no poder, que tem como ideário do respectivo partido favorecer os pobres. Uma nação carente não pode se dar o luxo de produzir material escolar sofisticado e nem de os professores, eventualmente, incluí-los em suas listagens, a não ser em escolas particulares frequentadas por filhos de ricos. Começando pelo enxugamento da lista do material escolar, certamente passíveis de cortes, muito há que modificar no sistema brasileiro de ensino, podendo-se projetar as vistas no futuro e encontrar lá alunos dizendo aos professores o que querem aprender e eles próprios descartando as matérias que irão considerar sem utilidade para seus cursos e carreiras.





