Questionamentos sobre os radares
O poder público municipal não pode ignorar o manifesto das mais expressivas representatividades de Londrina contra a implantação de mais 46 radares. Porque seria uma demonstração de descaso com a opinião pública. Essas instituições pedem que seja cancelada a licitação de privatização do serviço e que um novo modelo seja adotado, de modo que ''priorize a educação, a prevenção e fortes investimentos em obras do setor''. Questionam também o modelo de terceirização desse sistema, que representará um custo de R$ 12 milhões em 30 meses.
Encabeçadas pelo Conselho Municipal de Trânsito, assinam o manifesto (publicado ontem na seção de cartas deste Jornal) a Associação Comercial e Industrial de Londrina, o Clube Engenharia Arquitetura de Londrina, a Associação Médica de Londrina, o Sindicato dos Engenheiros do Paraná, o Sindicato dos Servidores Municipais de Londrina, o Conselho de Pastores Evangélicos de Londrina, o Rotary Club de Londrina Universidade, o Rotary Club de Londrina Sudeste, o Rotary Club Londrina Cinquentenário e a Associação de Moradores da Vila Brasil.
Também cidadãos têm se manifestado na seção de opinião dos leitores desta página. O receio é que a iniciativa se transforme na chamada ''indústria de multas''. Se todos condenam a imprudência dos motoristas, há os que também criticam a infra-estrutura instalada, que é de incumbência da gerência de tráfego da Companhia Municipal de Trânsito e Urbanização. Com tantos contrários à implantação desse modelo de fiscalização, assim como da privatização, é temerário o poder público insistir na idéia. O prefeito Nedson Micheleti deve examinar a sugestão e repensar o projeto.
Já não entra no mérito, no caso, o problema da imprudência de muitos motoristas, e sim a questão política, porque as associações que agora se manifestam têm sua representatividade. Elas poderão tomar medidas mais enérgicas, como uma representação judicial, gerando desgastes desnecessários, e estes já são tantos na relação com os Poderes. A questão remete também para a Câmara de Vereadores, que como representante do povo deve ficar atenta às manifestações das associações comunitárias, como agora acontece. Recuar, para melhor exame da situação e por extensão do tráfego e dos mecanismos de fiscalização, será uma medida sábia, que de forma nenhuma diminuirá a autoridade do prefeito, que em situações semelhantes tem pautado pelo bom-senso.





