Questão para seminário de carne discutir
Os importadores de carne bovina brasileira continuam vigilantes, como faz agora a Rússia ao solicitar informações detalhadas ao Brasil sobre o sistema de defesa sanitária. Ocorre que, por conta de um foco de febre aftosa bovina numa faixa do Amazonas (numa região que não exporta carne), os russos resolveram suspender a importação do produto. O mercado exportador brasileiro paga o preço por isso, mas não se pode afirmar que esteja desatento e não se preocupe em produzir, cada vez mais, carne de boa qualidade sanitária e de bom paladar e textura. Agora mesmo (amanhã e dia 8) realizam-se na Sociedade Rural do Paraná, em Londrina, seminários para estudo e debate naquele sentido, com a participação de destacados técnicos do setor e a presença de pecuaristas dos grandes Estados criadores de gado. Essa cruzada deverá continuar, porque um retrocesso seria altamente nocivo e comprometeria os grandes negócios de exportação de carne brasileira, não só a bovina mas também a suína e a de frango. Mas é oportuno rememorar a situação de desestímulo dos produtores, denunciada no último dia 30, neste espaço. Acontece que, com toda a euforia pelo elevado índice de venda de carne bovina aos mercados externos, o pecuarista não é beneficiado com isto, pois não recebe remuneração correspondente à melhoria de qualidade que está proporcionando. Instalou-se no mercado um predomínio dos frigoríficos, que não repassam aos produtores aquilo que usufruem na venda do produto. Se o abatedor comercializa a carne de qualidade a preço mais alto e não divide esse bônus com o criador, só ele ganha, e com essa política desanima o produtor a continuar com o sistema de melhoria da qualidade, que obriga a rígida metodologia e aumenta custos. Com a chegada da rastreabilidade, o boi rastreado não foi valorizado e verificou-se uma inversão de valores: a desvalorização do animal comum. Falta ao Brasil o estabelecimento de padrões para a qualidade da carne bovina, que implique também em determinação de preços ao produtor, e esta é tarefa para o Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento. Ademais, os frigoríficos, no Paraná, estão cada vez mais fazendo exigências ao produtor, o que não ocorria até que, recentemente, os dois maiores abatedores do Estado se fundiram e passaram a estabelecer absurdos critérios. No momento ocorre uma deterioração na relação entre frigoríficos e produtores de carne, pelas razões apontadas, e esta é uma questão que deveria ser levada a debate nos dois seminários da Sociedade Rural. Como estarão presentes o Secretário da Agricultura e representantes do Ministério da Agricultura, o problema tem o foro ideal para exame e discussão.





