A manchete da FOLHA de ontem, ''Aumentam casos de Aids entre adolescentes'', é estarrecedora por dois aspectos: a dificuldade de enfrentamento da doença passados exatos 30 anos do primeiro caso registrado no país, e a forma como a Aids é encarada principalmente pelos jovens.
Estudos demonstram que hoje a falta de informação não é mais a vilã da história. Para especialistas, um dos fatores que pode explicar o aumento de casos de jovens infectados é o fato de a Aids hoje não estar mais tão ligada à morte como nas décadas de 1980 e 1990, devido principalmente ao desenvolvimento de drogas mais eficientes e a programas governamentais que democratizaram o acesso aos tratamentos.
O indivíduo que contrai o vírus e segue o tratamento de forma correta consegue uma sobrevida que anteriormente seria impensável. Essa falsa impressão de que a Aids não representa perigo contribui para o relaxamento da população.
Prova disso é o baixo uso de preservativos entre casais de adolescentes. O assunto, apesar de se tratar de saúde pública, ainda levanta muitas discussões. Vide as reações que a iniciativa dos ministérios da Saúde e da Educação de instalar máquinas de camisinhas nas escolas. Pesquisa realizada pela Unesco mostra que a medida, se acompanhada de um projeto pedagógico e discussão com a comunidade escolar, conta com a aprovação de 63% dos pais de alunos. Outros 12% dos pais pesquisados declararam que a acham que ''não é função da escola''.
Os números mostram que deve ser repensada a forma como a informação sobre a doença chega até os jovens. É preciso demonstrar que, apesar de dar uma sobrevida maior, o coquetel ao qual os doentes ficam reféns para o resto da vida causa efeitos colaterais muito fortes. Além disso, será preciso adaptar a rotina à nova realidade. E isso tudo sem falar do preconceito, que ainda continua alto, como bem descreve o jovem Fernando, de 16 anos, na reportagem de ontem.

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