Cláudio Osti
Questão de
matemática
O jogo do PPB para o qual o governador Jaime Lerner foi convidado a participar, ora como parceiro ora como adversário, está longe de acabar. Só não irá se arrastar mais por que a Justiça Eleitoral não aceita prorrogação. O último dia para convenções partidárias é 30 de junho. Nem um dia a mais. E é nesse dia que o PPB fará sua convenção, 48 horas depois da convenção do PFL. O partido, no Paraná presidido pelo deputado José Janene, faz de tudo para exercer, neste período, a mágica ambiguidade política. Num momento declara que seu apoio será a Álvaro Dias - que possivelmente será candidato ao governo pelo PSDB - em outro momento, talvez, quem sabe, a Roberto Requião (PMDB), que já está em campanha pelo Estado. Mas não deixa de também conversar com o PFL, do governador Jaime Lerner. Por outro lado, ameaça até a lançar candidato próprio, o deputado Ricardo Barros.
Na verdade a última hipótese mais parece uma bravata, já que Barros dificilmente sairia para o ‘‘sacrifício’’ apenas pela remota, diga-se, bem remota chance de eleger-se governador, sendo que a reeleição para a Câmara é algo bem mais atingível.
Nem mesmo a interferência do ex-governador Paulo Maluf, em favor de Jaime Lerner, foi capaz de sensibilizar o partido no Paraná. O PPB faz transparecer que, apesar dos acordos nacionais, não aceita interferência em sua cozinha. O motivo é óbvio. Cada um sabe onde o calo aperta.
Mas porque o PPB reluta tanto em participar do ‘‘chapão’’, como vem sendo chamado o grupo de partidos que devem se aliar em busca da reeleição de Jaime Lerner?
A questão, na verdade, passa longe da ideologia. Ela pode ser entendida pela velha e eficiente matemática. O PPB, que pratica, digamos assim, uma política de resultados, estuda qual será a aliança que melhor lhe favorecerá em cargos na Câmara Federal e na Assembléia Legislativa. O partido tem motivo para ser paparicado e pretendido como uma noiva. Seu dote são os 13m24s diários no horário gratuito do rádio e da TV. O dote mais cobiçado nas campanhas eleitorais.
Hoje a legenda tem 6 deputados federais e 7 estaduais. O deputado José Janene acredita que o partido, com chapa completa, tem voto para eleger 7 federais e até 12 estaduais. Isso, logicamente, se a aliança for favorável. Aí começa o jogo dos números.O medo do PPB, caso entre no ‘‘chapão’’, coligando-se na majoritária - para o governo - e na proporcional -Assembléia e Câmara -, é de transformar-se de protagonista em mero coadjuvante, ajudando a eleger os ‘‘cabeceiras’’ do PFL, como são chamados os candidatos de ponta. Por isso o partido aceita discutir, conversar e até apoiar Lerner desde que não seja necessária a coligação na proporcional, onde a coisa pega.
O PFL, por sua vez, quer a coligação com o PPB, mas exige que ela seja feita na proporcional e na majoritária. No entender dos pefelistas, já que o PPB vai se beneficiar com a tentativa de reeleição do governador - candidato ao governo sempre ajuda a puxar votos - terá também de aceitar o ônus de compor a chapa proporcional.
Ao governador Jaime Lerner cabe o papel espinhoso de negociar. Precisa dos 13m24s do PPB, até porque, se não estiver em suas mãos, esse precioso tempo será utilizado por seus adversários. Mas Lerner não pode, por sua vez, prejudicar sua bancada de deputados, o que fatalmente acontecerá se aceitar que o PPB se coligue ao PFL apenas na eleição majoritária.
Tudo uma questão de matemática, que no caso da política, nem sempre é exata. O resultado dessa confusa aritimética só será conhecido dia 30, quando o PPB bater o martelo. Enquanto isso, em época de Copa, continua intacta a ‘‘caixinha de surpresas’’.
- CLÁUDIO OSTI é redator de Política da ‘‘Folha’’

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