A reportagem destacou-se na tela do computador do editor de Economia, Oswaldo Petrin, no início da noite de quarta-feira. Um estudo do Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (Usda) põe o governo norte-americano em estado de alerta sobre o aumento da competitividade brasileira no mercado internacional da soja. É uma daquelas notícias importantes, entre tantas que chegam à Redação no horário do ‘rush’ jornalístico, no intervalo que vai das 17 às 21 horas. O editor avalia as informações, transmitidas por uma agência nacional de notícias, e define que a reportagem não só é digna de figurar no noticiário do dia seguinte como será manchete da Folha Economia de quinta-feira. Com uma alteração fundamental: a reportagem enviada pela agência de notícias assume um enfoque quase norte-americano, abordando a situação mais do ponto de vista dos nossos competidores do que sob a ótica brasileira. Se a produtividade brasileira está disparando, não estaríamos diante de uma boa notícia? Afinal, quem deve se incomodar com o crescimento da cultura em solo brasileiro são os americanos, não nós. Assim, a reportagem ganha enfoque inverso, deixando explícito que os subsídios oferecidos pelo governo dos Estados Unidos aos seus produtores criam graves distorções nesse mercado, mas não o suficiente para neutralizar a expansão da soja brasileira. Que vai muito bem, obrigado! É assim que a notícia chegou ao leitor.
Ruth Meira
Chefe de Reportagem

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