Efeito estufa, aquecimento global, mudança climática. Não há dúvida de que os problemas ambientais vêm se intensificando e que os impactos são cada vez mais visíveis. Uma das principais causas é o aumento da emissão de gases como o gás carbônico (CO2) na atmosfera, o que eleva a temperatura e causa imenso desequilíbrio.

O CO2 representa cerca de 55% do total das emissões mundiais, sendo gerado por atividades humanas e industriais. Aproximadamente sete bilhões de toneladas do gás são lançados por ano. O Tratado de Kyoto (acordo que visa diminuir os gases poluentes), estipula a redução de 5,2% da emissão até 2012.

A neutralização de carbono, à medida que compensa a emissão de CO2, colabora para que essa meta seja alcançada. No entanto, ''os resultados ainda não estão na proporção adequada'', afirma Ewerton de Oliveira Pires, mestre em Geografia, Meio Ambiente e Desenvolvimento.

Quais as principais formas de neutralizar o carbono?
Existe a forma preventiva. Ao invés de gerar o carbono e depois compensar, você reduz a emissão substituindo tecnologias e utilizando combustíveis não fósseis. Também há a possibilidade de neutralizar o carbono por meio do plantio de árvores e de conservar a vegetação já existente.

Na sua opinião, qual opção é a mais adequada?
O ideal seria termos historicamente um padrão para evitar a emissão. Mas isso não aconteceu e nós ainda consumimos muito petróleo. Além disso, devastamos grandemente as florestas. Devemos reduzir urgentemente a perda de matéria florestal e substituir as fontes de energia. E tentar neutralizar com a revegetação.

A revegetação é viável?
É inegável que contribui, mas temos estudos que questionam se realmente a prática está neutralizando na proporção que dizem. O Painel Intergovernamental de Mudanças Climáticas (IPCC, na sigla em inglês) mostra que cada árvore reduziria entre 180 e 200 quilos de carbono por ano, o que representa entre cinco e sete árvores por tonelada de CO2 emitido. Isso varia muito. No Brasil, por exemplo, tem-se clima, solos e biomas diferenciados. Com certeza a vegetação vai capturar carbono, mas esses cálculos não são tão seguros.

A proposta de neutralizar carbono, de modo geral, está dando certo?
Não na proporção adequada. Vemos iniciativas interessantes. Mas se fizermos um gráfico comparando o sequestro e a emissão de carbono, percebe-se que ainda existe bem mais emissão. Diria que é uma prática embrionária.

E o que deve ser feito em busca de resultados efetivos?
Uma questão fundamental de se discutir são as fontes de energia. O Brasil tem se colocado de uma maneira interessante quanto ao uso dos combustíveis, mas o nosso diesel continua com elevado teor de poluentes. Precisamos maximizar o uso de combustíveis renováveis. Isso é fundamental para diminuir a emissão. Não adianta tentar capturar e neutralizar carbono se as emissões continuarem como estão.

Como o senhor avalia a iniciativa das empresas que já neutralizam o carbono?
Vejo como louváveis. Claro que existem questões estratégicas e mercadológicas envolvidas, mas se a empresa cumpre seu papel socioambiental não vejo problema dela se beneficiar. Acredito que, se continuarmos no ritmo em que estamos, vamos levar entre cinco e dez anos para começar a ter resultados mais significativos. O Paraná caminha como o Brasil. A matriz energética do nosso estado é muito semelhante a do restante do país e as nossas áreas vegetais também foram bastante degradadas.

No dia a dia, como podemos colaborar com a neutralização?
Muitas vezes a pessoa não tem essa preocupação e não pensa na emissão de carbono. Quantos de nós estamos dispostos a trocar o transporte individual pelo coletivo? A utilizar a bicicleta, caminhar, pegar carona? O ser humano precisa de uma postura mais ética e demonstrar mais consciência. As pessoas, muitas vezes, alegam que a empresa não faz, que o estado não fiscaliza, mas e nós contribuímos em que? Se as pessoas não se conscientizarem, eventos extremos vão acontecer com maior frequência - secas, tempestades, furacões, tufões etc. Também vai acontecer a expansão de doenças, como a dengue, que estão mais ligadas ao clima tropical.

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