''Nós somos muito criticados. Querem que a gente resolva tudo, sempre. Muitas vezes dizem que o Conselho foi chamado e não fez nada. Acontece que às vezes a gente realmente não pode fazer nada'', lamenta Rita Bastos. Ela conta que recentemente foi chamada a uma escola para atender o caso de uma adolescente que tinha um número excessivo de faltas: ''Fui procurar os pais da menina, que confessaram que ela foge de casa e que eles não conseguem obrigá-la a frequentar a escola. A família está completamente desestruturada e vive numa situação de absoluta miséria. Como obrigar essa menina a assistir aula?'', questiona.
As queixas de indisciplina ou ausência escolar são os menores problemas enfrentados pelos conselheiros. No ano passado foram 26 mil atendimentos. Os casos de abuso sexual são diários. O último relatório mensal contabilizou quase mil atendimentos, incluindo violência física, crianças vítimas de prostituição, menores vivendo na rua, fugas e desaparecimentos.
''Atendi um caso de uma criança que apanhou da mãe dentro de um hospital. Ela havia sido internada, passou por uma cirurgia e por causa da surra teve que ser operada novamente'', lamenta Marcio Antunes. ''As pessoas não têm idéia das barbaridades que a gente vê'', comenta. Um dos últimos atendimentos feitos por Rita Bastos foi um estupro: a vítima tem dois anos.

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