Querem me tirar da disputa em 98
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quarta-feira, 20 de novembro de 1996
Sucursal de Curitiba 
Roberto Requião diz que as provas apresentadas no processo julgado pelo Tribunal Regional Eleitoral (TRE) são ridículas e não serão aceitas pelo Tribunal Superior Eleitoral (TSE). Segundo o senador, sua cassação é uma violência contra a vontade dos 2,3 milhões de eleitores que o elegeram senador.
A seguir, os principais trechos da entrevista do senador à Folha.
Folha de Londrina - Por que o senhor diz que a decisão do TRE equivale a um lançamento de sua candidatura a governador em 1998?
Roberto Requião - A decisão foi uma violência tão grande contra o meu mandato, contra os eleitores que votaram em mim, contra a liberdade de escolha, contra o Direito, que o processo sequer teve instrução. Não estabeleceram o contraditório, não me deixaram apresentar provas, inquirir testemunhas de acusação, pedir perícias, prestar o meu depoimento pessoal. Foi uma violência tão grande que será corrigida, sem nenhuma dúvida, no TSE. Agora, eu fiquei estimulado. Eu quero ser governador do Paraná. Porque no fundo, mesmo, eles querem evitar que eu dispute a eleição de 1998. Eles conheceram a firmeza e a decência do meu governo.
Folha - As provas apontadas pelo processo são de que o senhor utilizou recursos e pessoal do Estado em sua campanha para o Senado.
Requião - É ridículo. É rigorosamente ridículo. Eu construí a Ferroeste, construí a Usina de Segredo, centenas de milhões de dólares, e iria me apropriar de R$ 60,00 em selos, do gabinete, para mandar correspondência pública? Isso é rigorosa e absolutamente ridículo. Aliás, fico com a posição do procurador da República, que disse que todas as acusações não constituíam crime eleitoral em tese. E se fossem crime eleitoral, não tinham sido provadas. Então ele disse: se quiserem prosseguir, determinem a instrução do processo, ouçam as testemunhas e cedam ao pedido de perícias. Não, eles violentaram o Direito. E quem vai corrigir isso? O TSE.
Folha - O senhor espera alguma manifestação do Senado?
Requião - Eu conversei com o presidente (do Senado) e podem ter certeza: é no Senado onde as leis são feitas. Eu não quero manifestação de solidariedade a mim. Eu quero manifestação clara de defesa da opinião pública do Paraná, do Estado democrático e da liberdade de escolha dos senadores, dos deputados, dos governantes.
Folha - O senhor é candidato a governador mesmo que a reeleição seja aprovada pelo Congresso?
Requião - Para mim seria um prazer. Prefiro disputar com o Lerner do que com o tigre de pelúcia.
Folha - O senhor espera alguma aproximação com o ex-governador Álvaro Dias e com o PSDB para uma eventual disputa contra Jaime Lerner?
Requião - O PSDB foi o autor do pedido da minha cassação, foi o instrumento dos meus adversários para me tirar da parada. Querem ganhar no tapetão. Eu, de minha parte, gosto é de eleição.


