Quer aumento de salário? Volte a estudar
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domingo, 24 de maio de 2009
Andréa Bertoldi<br> Equipe da Folha 
Curitiba - Quanto mais tempo no banco escolar maior pode ser o salário. Uma pesquisa da Fundação Getúlio Vargas, a pedido do Instituto Votorantim, aponta o efeito da educação no salário do trabalhador brasileiro e mostra ainda os danos que pode trazer uma trajetória escolar interrompida. Segundo o levantamento, cada ano de estudo que o brasileiro acumula no currículo, gera um salto médio no salário de 15,07%.
Os dados revelam que, no Brasil, o salário de uma pessoa sem qualquer grau de instrução tem um incremento de 6% quando ela alcança um ano de estudo. Já um brasileiro com 15 anos de estudo, que corresponde à conclusão do ensino superior, passa a ganhar 47% a mais quando agrega ao seu currículo mais um ano. Segundo o coordenador do Centro de Políticas Sociais da FGV e responsável pela pesquisa, Marcelo Neri, uma pessoa que completou todo o ciclo de educação recebe, em média, R$ 4.454,69, o que representa um salário médio aproximadamente 12 vezes maior do que o que recebe uma pessoa sem instrução (R$ 392,14).
A análise regional aponta que o Nordeste tem a maior taxa de retorno de educação (17,04% por ano de estudo) e o Sul (12,43% por ano de estudo), a menor. De acordo com Neri, isso ocorre porque o Nordeste está crescendo num ritmo mais acelerado e o Sul conta com uma oferta mais abundante de pessoas qualificadas.
Ele defende que os dados mostram a necessidade dos jovens e de seus pais de investirem em educação continuada.
''A escolaridade tem relação direta com a oportunidade de emprego'', disse o supervisor técnico do Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos (Dieese), Cid Cordeiro. O estudo também influencia na estabilidade, em uma melhor remuneração e progressão profissional.
No entanto, ele ressalta que, em alguns setores o grau de escolaridade exigido é até o ensino médio como serviços de limpeza e de portaria em condomínios. No caso de empregos que oferecem salários mais baixos, como nestes segmentos, mais anos de estudo podem representar ''portas fechadas''.
Cordeiro destacou ainda que o piso salarial é um patamar mínimo para assegurar um valor de ingresso do trabalhador no mercado. Para as categorias que só pagam o piso, ele destaca que mais estudo pode ajudar o profissional a buscar outras opções de renda como dar aulas e oferecer serviços de consultoria. ''Muitas vezes, esses trabalhadores conseguem até dois vínculos profissionais'', disse.
''O Brasil tem dado saltos na escolaridade. O País tem mão-de-obra mais capacitada e gerando mais produtividade, o que torna a economia mais competitiva em nível internacional'', destacou.
O dentista e professor universitário da área de prótese odontológica, Sávio Moreira da Silva, 36 anos, já concluiu o mestrado e está com o doutorado em curso. Ele disse que, geralmente, o plano de cargos e salários traz benefício para quem tem formação. Quando ele terminou o mestrado em 2003 teve um acréscimo de 12% no salário e o doutorado que será concluído até o final do ano, deve conferir um aumento de 25% no salário.
Além disso, o doutorado pode abrir possibilidades de bolsas para fazer estudos e pesquisas e, com isso, ter complementação de renda. Além disso, o profissional se atualiza cada vez que volta para o banco escolar. Ele lembrou que o mestrado e o doutorado oferecem uma maior capacidade de autoaprendizado e o aluno é capaz de produzir conhecimento.
''Quando a gente faz a opção por estudar, opta pelo conhecimento e a consequência disso é a remuneração'', disse.


