Quem vai explorar os novos pedágios?
Se a criação de novas praças de pedágio não é bem recebida pelos usuários, a falta de transparência nos contratos e os valores das tarifas são algo a ser rechaçado. A população, cordata, até aceita o pedágio privatizado (por não acreditar na eficácia do serviço público), mas não aceita os abusos.
O pedágio já abocanha até 11% do lucro de muitas empresas paranaenses. Alguma coisa tem que ser negociada. Não é possível.
Sobram críticas à idéia de novas praças. Antes mesmo da realização dos leilões que vão indicar os exploradores dessas minas de dinheiro, o usuário já está achando que será prejudicado. E não está enganado.
Se não quiser fazer algo acintoso e enganar, de novo, os usuários, o governo terá, no mínimo, que tomar alguns cuidados. Por exemplo: empreiteiras de obras rodoviárias deveriam ser excluídas do processo. Empreiteiras e as concessionárias atuais não devem participar. Por prudência.
Além disso, empreiteiras e concessionárias estão suficientemente desgastadas para se habilitarem a parcerias com o Estado. Por razões diferentes, mas estão. E a presença delas em leilões para explorar novos trechos sempre vai suscitar dúvidas. Dúvidas não devem existir se o governo pretende mostrar lisura.
Uma reportagem desta FOLHA, ontem, mostra a opinião de uma dezena de setores todos apontando falhas e dando sugestões. E são setores de peso como a Federação da Agricultura do Paraná e sindicatos das indústrias de confecções. Quase tudo que se produz nesses setores é transportado por rodovias.
São segmentos que deixam uma fortuna nas praças de pedágio e, no entanto, não são ouvidos. A Agência Nacional de Transportes Terrestre (ANTT) marcou para 9 de outubro o leilão que prevê a concessão de sete novos trechos de rodovias federais. Pegunta-se: Entre os usuários, quem teve sua opinião acatada pelos agentes do governo?
Pedágio caro atrapalha até futuros investimentos. O presidente de uma agência regional de desenvolvimento do Paraná, senhor Adrian von Tireuenfels, fala que não é contra o pedágio. Mas hoje falta transparência sobre o custo-benefício dessas praças. ''Sabemos que elas têm receitas milionárias, mas não sabemos suas despesas.
Dados do Sindicato das Empresas de Transporte de Cargas do Paraná, apontam outra mina de dinheiro sobre a qual não se fala. É a Cide (Contribuição de Intervenção Sobre o Domínio Econômico), que está embutida nos preços dos combustíveis. Só a CIDE fatura para o governo cerca de R$ 8 bilhões por ano.
Sobre o pedágio atual, não há interesse das concessionárias na divulgação do que fazem, o que seria até simpático para elas, afinal à uma assistência aos transportadores e usuários em geral. A divulgação é uma forma de dar atenção à sociedade.





