Quem tem medo de um real forte?
Se levada ao pé da letra uma frase do ministro da Fazenda, Guido Mantega, o governo dá margem a uma interpretação que sacode o mercado. Quando Mantega diz: Estamos prontos para adotar medidas adicionais no caso de uma nova apreciação do real, está sugerindo que o Banco Central adotará medidas firmes para conter uma nova apreciação do real (leia-se uma nova valorização).
Pois o ministro fez esta afirmação ontem, inserida no seguinte texto distribuído depois pela Agência Estado e outras fontes de notíciais: O Brasil está atento à força do real e vai agir rapidamente para conter qualquer apreciação da moeda. Disse mais: Continuamos observando a trajetória do dólar e de outras moedas. E a frase: Estamos prontos para adotar medidas adicionais no caso de uma nova apreciação do real.
A pressão dos exportadores em busca de uma nova paridade cambial é enorme. O real permaneceu estável nos últimos meses, conforme a atenção do mercado financeiro voltou-se para as dívidas soberanas da Europa e a deterioração fiscal de alguns países da região, mas algumas das medidas para conter os receios dos investidores com a situação europeia provocaram um fortalecimento da moeda brasileira em dezembro.
Recentemente, o dólar recuou ante o real, para abaixo de R$ 1,70, levando o Banco Central a retomar a política de dois leilões diários de compra da moeda norte-americana. Mantega disse que os mercados de câmbio devem continuar sofrendo nos próximos meses os efeitos das taxas de juro baixas no âmbito internacional e das medidas de afrouxamento quantitativo adotadas pelo Federal Reserve.
O ministro afirmou também que o governo está trabalhando para reduzir os gastos públicos, na tentativa de desaquecer a demanda no Brasil. Embora são coisas diferentes, esta medida poderia dispensar outras preocupações com a questão cambial. Os cortes de despesas em todos os ministérios serão implementados a partir do ano que vem e as medidas anunciadas na semana passada para conter o crédito também devem ajudar a arrefecer a economia e a reduzir a inflação.





