Quem tem medo da CPI dos Transportes?
O governo federal agiu rápido e com uso de uma manobra política conseguiu derrubar a instalação da Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) que investigaria denúncias envolvendo o Ministério dos Transportes e o Departamento Nacional de Infraestrutura dos Transportes (Dnit). Logo após a oposição ter encaminhado à Mesa do Senado requerimento pedindo a criação da CPI, o base aliada conseguiu retirar duas das 27 assinaturas necessárias protocoladas.
Essa seria a segunda CPI do governo de Dilma, mas a primeira com grande repercussão política. A outra Comissão Parlamentar de Inquérito em andamento trata de denúncias de irregularidade no pagamento de direitos autorais, conhecida como a CPI do Ecad.
A presidente quer evitar ao máximo ataques que inevitavelmente iriam surgir com os depoimentos dos envolvidos no escândalo de suposto pagamento de propinas no Ministério. Essas propinas beneficiariam o PR, partido do ex-ministro Alfredo Nascimento. O ministro e quase 30 outras pessoas que trabalhavam na pasta ou em outras autarquias ligadas ao setor caíram em decorrência das denúncias reveladas há um mês pela imprensa.
Anteontem, ao reassumir o cargo de senador, o ex-ministro dos Transportes usou a tribuna da Casa para discursar durante quase duas horas, dando uma amostra das informações que se tornariam pública com uma CPI. Nascimento disse que Dilma Rousseff sabia desde março do ''descontrole nos gastos'' e ele não poupou o Programa de Aceleração do Crescimento (PAC), ''menina dos olhos'' da presidente. Nascimento responsabilizou a ministra do Planejamento, Miriam Belchior, pelo aumento de despesas incluídas no PAC dos Transportes, no ano passado, durante a disputa presidencial.
A CPI dos Transportes poderia ser útil para esclarecer as graves denúncias no Ministério. Se depender da oposição, a briga ainda não terminou. O PSDB recomeçou a coleta de assinaturas na tentativa de criar novamente a comissão. E já ataca em outras frentes, defendendo a criação da CPI do PAC, principal plataforma da candidatura de Dilma Rousseff. Senadores governistas dizem que a CPI seria desnecessária pois o governo já está apurando as denúncias. Mas, há empenho nessas investigações?





