São quase 10 milhões. De acordo com os dados de uma pesquisa recente – que recebo da Artplan Comunicação – 9,8 milhões é o número dos internautas brasileiros: pessoas que habitualmente usam seus computadores para ‘‘navegar’’ nos sites da Internet e para enviar e receber seus e-mails, ou mensagens eletrônicas.
Já vi números mais pessimistas – não passariam de 5 milhões ou 6 milhões – e inflacionados: estariam perto de 15 milhões, de acordo com um levantamento feito pela revista ‘‘Veja’’. Como o número da agência carioca fica na média, acredito que deva estar perto da realidade.
Sob o ponto de vista da mídia, 6% da população brasileira ainda não significa um segmento espetacular, diante dos números de brasileiros que assistem à TV regularmente, que ouvem rádio ou lêem jornais e revistas. Como mercado consumidor, contudo, as coisas mudam de figura. Qualquer produto, mesmo de baixo preço unitário, que venda 1 milhão de unidades, representa receita considerável.
Mais informações da pesquisa da Artplan: a Internet atrai ambos os sexos: 56% homens, 44% mulheres. Em termos de classe socioeconômica, não há nenhuma dúvida: 83% são das classes AB, 16% da C e apenas 1% das restantes DE. Três quartos dos internautas concentram-se nos Estados da Região Sudeste: São Paulo (31%), Rio de Janeiro (16%), Minas Gerais, Paraná, Rio Grande do Sul e Santa Catarina.
Também é de se esperar que quem viaja num microcomputador tenha boa instrução. Quase metade (46%) têm curso secundário e muitos estão fazendo a faculdade. Vinte por cento já terminaram e 8% fizeram pós-graduação. Mas não deixa de causar certa surpresa que 26% dos internautas brasileiros não terminaram o 2º grau e, desses, 7% não terminaram o 1º grau. Se os números estiverem corretos, há aqui um fenômeno social (ou sociológico) a merecer estudo.
São os dados referentes às faixas etárias, entretanto, que dão um foco especial a esses internautas patrícios. Em geral, supõe-se que sejam muito jovens. Do ponto de vista da mídia e do marketing, jovens demais.
Vejamos se os números confirmam o preconceito. Os dados da PNAD (1999) para essas faixas etárias da população brasileira como um todo são: 10/19 (28%); 20/29 (14%); 30/39 (20%) e 40 e mais (38%).
Entre internautas, os adolescentes, entre 10 e 19 anos, representam 22% do total. Mais os 40%, que estão entre 20 e 29 anos, levam a bem mais da metade – 62% – o total, que – em números – chegaria a quase exatos 6 milhões de usuários. Isso deve ser comparado ao número total para a população brasileira, que é de 42%. Os restantes 38% dividem-se igualmente entre as faixas de 30/39 e de 40 ou mais, enquanto, na população, eles representam 58%.
Mas os números revelam é que há uma distorção contra os muito jovens: os adolescentes, que representam 28% da população, perfazem 22% dos internautas; enquanto as pessoas na faixa de 20/29, que, na população, somam 14%, em termos de navegação informática, chegam a expressivos 40%. Decididamente são eles que representam o grosso (ou o fino) dos internautas brasileiros.
Profissionalmente, seria de se esperar um predomínio das profissões ligadas à informática. Mas não é tão grande assim, 19%, considerando-se que os internautas são jovens, de instrução e classes socioeconômicas elevadas.
Outros dados: 74% acessam de casa; quase o mesmo número – 75% – são solteiros; 63% têm cartão de crédito; 55% falam inglês; apenas 40% usam e-mail como principal ferramenta de navegação. Música e notícias são os interesses da maioria, enquanto esportes, turismo, sexo (!) e compras dividem as demais atenções. A agência observa que as vendas ao consumidor ainda ‘‘engatinham’’, mas que há uma tendência crescente para compras on-line.
Os internautas brasileiros não são tão exóticos como se pensa. Mas – se o seu público estiver predominantemente entre as pessoas de menos de 29 anos – é bom ficar de olho.
- J. ROBERTO WHITAKER PENTEADO é jornalista, publicitário, professor e dirigente universitário no Rio de Janeiro
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