Quem produz comida tem a força
Para efeito de dominação do mundo, houve o tempo (ciclo) do poderio bélico - e, ainda hoje, quem o detém, automaticamente tem a força. Mas há outras ''armas'', como o petróleo, a informação e, daqui para frente, os recursos naturais, notadamente a água e a condição de produzir comida. Esses ciclos nunca serão nítidos e o instrumento de poder de mando nunca será único, mas será o diferencial determinante. Assim, a disponibilidade de água garante a supremacia para quem possui as reservas, mas o detentor dessa cobiça não pode prescindir do armistício como instrumento de defesa.
A realidade é clara. Quem tem água - sem perder de vista que é um recurso ameaçadoramente finito - tem poder de negociar qualquer coisa. E ainda possui a condição de produzir alimento, outro fator estratégico. O Brasil tem os dois fatores de segurança nacional e cobiça internacional.
A diferença começa agora, em 2011. O consumo crescente dos países emergentes; o maior volume de safras voltadas para a produção de biocombustíveis e também o custo elevado de insumos sugerem que, no longo prazo, os preços dos alimentos seguirão uma tendência de alta. Um relatório da FAO (veja detalhe nas páginas de Economia) prevê uma situação de iminente colapso no abastecimento, motivado pelos fatores acima. vai aumentar o preço das matérias-primas. Chega a projetar o preço médio do trigo nos próximos dez anos em até 40% mais alto, descontada a inflação e tomando como base o preço médio praticado em 2006. Um aumento como esse teria impacto particularmente negativo sobre os países que não são exportadores de commodities em que a maior parte da renda das famílias é dedicada à compra de comida.
Segundo um levantamento do banco japonês Nomura, o Brasil estaria entre os 20 menos afetados. A interpretação dessa situação, aparentemente confortável, contudo, não impede que os preços, no consumo interno, inflacionem a economia, enquanto no cenário externo (commodities) sejam alvo de discussões tarifárias, barreiras alfandegárias e sanitárias e até boicotes, como já ocorreu.





