Quem precisa de um terapeuta?
Quem precisa de um terapeuta?
Regina Teixeira Peres
Nossa adaptação ao mundo, que flui velozmente no tempo, tem sido um desafio constante. Como se não bastasse, em muitas situações rotineiras e aparentemente banais ainda não tivemos oportunidades de conceber receitas fáceis e infalíveis.
Tratamos aqui da relação de cada ser humano com o mundo que o cerca: família, relacionamento afetivo, relações de trabalho e, o maior desconhecido: nosso próprio ser, enquanto o consideramos um complexo que abrange corpo, mente, emoções e espiritualidade.
A ciência desenvolve teses a cada dia mais requintadas sobre o dinâmico pulsar destes quatro aspectos de nossas vidas. Até mesmo cria clones de animais e sai em busca de materializar a idéia de duplicar seres humanos. Aí mesmo temos uma situação bem interessante: o ser humano busca a duras penas conhecer a si mesmo e logo terá mais um estranho para enfrentar!
Em nossa vida diária, não costumamos conceber que alguém possa auxiliar nessa caminhada. Afinal cada um sabe de si e aprendeu com os exemplos de família para escrever sua própria história - são afirmações bem comuns. Por trás delas se esconde a falta de informação, que naturalmente embasa o preconceito contra os tratamentos que têm por objetivo orientar, ficando reservada para os doentes ou para problemas mais sérios aquela ajuda que poderia estar ao alcance de todos.
Vejamos este exemplo: que caminho percorremos para nos tornarmos bons profissionais? Estudamos vários anos, cursamos de quatro a seis anos de faculdade para a formação em terceiro grau, praticamos em estágios, cursamos pós-graduação, trabalhamos dez a doze horas por dia, etc... Por fim, podemos dizer: tornei-me um especialista na minha área, certo?
Pois bem, que curso costumamos fazer para nos tornarmos pessoas felizes? Como aprender a ser uma mulher realizada, um homem de sucesso, não apenas profissionalmente, mas emocionalmente, se insistimos em aprender com quem nunca teve aulas antes? Sim, aprendemos com nossos pais, que aprenderam com nossos avós, que aprenderam com seus antepassados e assim por diante. Quantos equívocos perpetuados! Nosso sistema de crenças é formado por muitos componentes questionáveis, no mínimo, para uso no mundo moderno.
Via de regra, um tratamento só é procurado quando surge alguma situação mais grave, partindo-se da premissa de que apenas um especialista poderá combater a enfermidade.
Já os tratamentos que são preventivos, sejam médicos, psicológicos, odontológico, ou mesmo o aconselhamento religioso, as técnicas de autoconhecimento, etc..) ainda que bem aceitos, estão distantes do dia-a-dia das pessoas. Na melhor das hipóteses, são recursos procurados quando a situação de desconforto se agrava ao nível do insuportável.
Para nosso alívio, se fortalece e amplia, a cada dia, a percepção de que: antes de uma manifestação grave do organismo ou da psique muitos sinais de alarme são processados pelo corpo e revelados em nosso comportamento geral. Assim, médicos, odontólogos, psicólogos, enfermeiros, religiosos, terapeutas naturistas, assistentes sociais, enfim, todas as pessoas que pretendem ser agentes de cura, comprometem-se cada vez mais a serem agentes de informação para a manutenção da saúde, física e mental.
É preciso resgatar um pouco de humildade, descer do pedestal do orgulho que diz: sei o que estou fazendo e buscar ajuda sempre que sentirmos necessidade. Seja através de leitura (hoje temos uma vasta literatura nas livrarias sobre a maioria das nossas inquietações); seja perguntando sobre a nossa sexualidade; seja recebendo orientação para as nossas relações familiares; seja aprendendo a conhecer nosso organismo, desde a fisiologia básica do corpo humano (como funciona o seu intestino?) até o mecanismo de nossa respiração, as reações musculares, celulares e a atuação dos neurotransmissores, nas situações de impacto na vida moderna, cuidadosamente estudada hoje pela psiconeuroimunologia.
Nos Estados Unidos, as seguradoras estão alertas para os tratamentos preventivos, tanto os convencionais quanto os complementares (antigamente chamados de alternativos), pois a prevenção, especialmente no que se refere às terapias naturais e de autoconhecimento, têm significado uma enorme economia para todos. Gasta-se menos em cirurgias, em remédios, a indústria da doença enfraquece e todos começam a ganhar dinheiro com a saúde, fornecendo orientação educativa nas consultas, vendendo compostos naturais nas farmácias e toda sorte de produtos que manterão o comércio, sem prejudicar a saúde.
Portanto, o seu terapeuta, ou o seu grupo de terapeutas, em diferentes áreas, são o seu pessoal de apoio, que não deverá ser chamado em último caso. Precisamos aprender a compartilhar desconfortos, ainda que aparentemente pequenos e insignificantes, com quem pode nos orientar de forma preventiva, saudável e eficiente. Assim, o desconforto não se tornará doença, muito menos uma doença grave, que é o grito maior do corpo que nunca foi ouvido.
REGINA TEIXEIRA PERES é terapeuta corporal e de essências florais





