Definitivamente, não há aftosa no Paraná, ao contrário do que sugeriu, semanas atrás, o ministro da Agricultura, Roberto Rodrigues. E, ao admitir, em audiência pública anteontem, na Câmara Federal, que pode ter se precipitado ao considerar como foco a suspeita de febre aftosa, o ministro deixou entrever que já sabia do resultado negativo, ontem divulgado. Não deixa de causar alívio pois pior seria o contrário mas pergunta-se quem irá pagar o prejuízo causado por essa precipitação. A conta é alta, porque, em 36 municípios do Estado, foi suspenso o comércio de animais vivos, áde carne industrializada e subprodutos. A economia foi grandemente afetada, nessas localidades e nas regiões vizinhas, atingindo pequenos e grandes proprietários. Os produtores de leite tiveram que jogar fora grande quantidade do produto, porque os consumidores, na maioria desinformados, suspenderam o consumo. Contraditório que o ministro tenha dito que não se pode errar nesse negócio, mas foi ele quem gerou o alarma da quase certeza de contaminação do lote que entrou no Paraná, procedente da região de Mato Grosso do Sul onde apareceu o primeiro foco. Porque o porcentual de possibilidade que ele apontou foi de 90%. Uma tal afirmação assumiu gravidade mais acentuada pelo fato de haver partido do ministro responsável pelo setor. O ministério e ogoverno do Paraná insistiram tanto nas análises e, no final, para alegria dos produtores, os exames apontaram resultado negativo, conforme manchete deste jornal hoje, com base na Agência Estado.
A postura de Rodrigues, após o episódio do vizinho Estado, deveria ser de cautela, para não disseminar notícias alarmantes por outras regiões deste país campeão em criação de gado. Primeiro quando explodiu o caso da fazenda de MS ele afirmou aleatoriamente que tudo estava sob controle, sem saber-se até então a verdadeira extensão do problema. Visava, naturalmente, mostrar eficiência de seu Ministério. Depois, contradizendo-se, propagou o perigo de a aftosa haver entrado no Paraná, dando conotações sombrias e gerando pânico. Na esteira disso veio o elevado prejuízo aos produtores paranaenses, cujas consequências ainda não cessaram. Outra precipitação. Deve o ministro, agora, diligenciar para que os prejudicados sejam ressarcidos, mas de qualquer forma essa indenização, caso ocorra, nunca cobrirá os danos paralelos em forma de lucros cessantes na economia daqueles 36 municípios, porque os negócios vinculados ao setor pecuário são abrangentes e se propagam em várias correntes. Cautela, ante uma questão tão delicada, não pode ser confundida com afoiteza, porque palavras lançadas ao vento e desacompanhadas de um mínimo de certeza, disseminam o vírus da paralisação dos negócios e da inquietação. O Paraná poderia ter sido poupado disso.

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