Em tempo de crise econômica e aperto fiscal, o contribuinte brasileiro enxuga o orçamento doméstico para honrar seus compromissos com o fisco (federal, estadual e municipal) e ainda sustentar a família. Levando-se em conta que o trabalhador
precisa trabalhar quatro meses do ano só para pagar tributos das mais diversas espécies, sobra pouco dinheiro para lazer e diversão. De acordo com o impostômetro, índice medido pela Associação Comercial de São Paulo, o brasileiro pagou do início do ano até ontem 1,289 trilhão de tributos.
O excesso de impostos e a desastrosa política econômica afeta empresários e trabalhadores da iniciativa privada. Com a paralisia do País, o empresariado reduz o quadro de funcionários e adia investimentos. Já o trabalhador luta para manter-se no emprego e conseguir um reajuste salarial que ao menos cubra o índice inflacionário. Assim, não é surpresa a indignação quanto à aprovação pelos ministros do Supremo Tribunal Federal (STF) do auto reajuste de 16,38% em seus próprios proventos. A medida, que ainda passará pelo aval do Congresso Nacional e sanção da presidente Dilma Rousseff, elevará os subsídios mensais do ministros do Supremo de R$ 33,7 mil para R$ 39,2 mil a partir de janeiro de 2016. Apenas no Judiciário, o impacto deve superar os R$ 720 milhões de folha de pagamento por ano. Os ministros do Supremo querem ainda uma série de benefícios, como auxílios para transporte, alimentação, despesas com moradia, creche, educação, funeral e plano de saúde.
O novo provento de R$ 39,2 mil dos ministros do STF passará a ser o teto constitucional de todo o funcionalismo público. E, como tem ocorrido com frequência, é provável que os congressistas também aprovem o reajuste de seus subsídios mensais abrindo brecha para o chamado "efeito cascata" sobre as demais órgãos públicos, como assembleias legislativas e executivos estaduais, como mostra reportagem publicada hoje pela FOLHA em sua editoria de Política.
Não se pode admitir que apenas a iniciativa privada arque com o custo da pesada máquina pública brasileira. Em um momento crítico vivido pelo País é preciso que todo o conjunto da sociedade divida a conta do enfrentamento da crise.

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